Uma Pátria Educadora em um País Burro!

Debatemos educação no maior momento de alienação egoísta de toda a História do nosso país. Enquanto a população busca a culpa de um partido, ou de uma pessoa, que assuma todo a insatisfação que a conjuntura econômica e política tem proporcionado à população brasileira. Uma quantidade de corruptos se fartam na pouca objetividade das nossas leis e métodos de regulação.

É uma crise ética de proporções inimagináveis que visivelmente nos leva a buscar um bode expiatório para o cenário de desestruturação que estamos vivendo. Enquanto uma sociedade falsamente moralista, que sonega mais de meio trilhão de reais ao governo, cultiva uma crítica violenta e quase fundamentalista contra os políticos do seu interesse. Usando a fralda do próximo que está suja para esconder a sua que está cheia.

O estado do Paraná, por exemplo, se encontra em um dos períodos mais sombrios para a educação, onde o patrimônio do povo é atacado para manter benefícios e privilégios dos burocratas do nosso estado. Aqueles a quem o conhecimento das corrupções que estamos submetidos, trazem os benefícios comprados às custas da não observância dos direitos do povo que deveriam proteger. Como se todo o problema ético e financeiro da política paranaense fosse mera manobra do PT.

retirado do fb de Vítor Teixeira

Ver a tentativa da incorporação do fundo Paraná previdência ao caixa financeiro estadual; o não pagamento do auxílio transporte, não recebimento do auxílio alimentação – benefícios dos servidores tidos como excrescência pelo presidente da Assembleia Legislativa do Paraná (ALEP), que recebe R$ 4300,00 apenas de auxílio moradia – serem tratados como obras malignas do PT, apenas me remete ao fato de que o governador do Paraná  e o presidente da ALEP são do PSDB.

Ver nossos administradores afirmarem na mídia que o desempenho pífio do nosso estado em todos os setores, incluindo a educação, se deve ao PT. É como se realmente estivessem confiando na ignorância que plantaram durante seus governos anteriores com muito sucesso.

Além disso os cortes de 10 mil profissionais em sala de aula, o que diminuiria sensivelmente a qualidade do sistema educacional., aumentando o número de alunos por turma. Nos remete aos anos 90, quando as turmas estavam abarrotadas em salas que nem possuíam ventilação. Mera obra do PT, calma.. peraí… o Beto Richa é de que partido mesmo???

Não podemos esquecer da extinção das salas de apoio em português e matemática. Algumas que inclusive serviam para alfabetizar os alunos que chegavam ao sexto ano sem saber ler. PT! (NÃOOOOO, OMG!)

Extinção dos cursos de línguas CELEM. Diminuição do quadro dos funcionários que realizam o apoio pedagógico como secretárias, inspetores e limpeza. Nossa educação, que já não garante igualdade de oportunidades, quase foi jogada praticamente a duas décadas de retrocesso, onde eramos governados pelo PT… PT?

No entanto ainda escuto pessoas falando que todos os professores são petistas, ou que só petistas participaram da greve que durou 29 dias parando o ensino público paranaense e que a culpa é da Dilma. Esquecendo que de acordo com a LDB estas instâncias do ensino são de competência das Unidades Federativas, sendo o Paraná governado pelo PT?

Claro que houveram interferências políticas, e é óbvio inclusive, se pensarmos que a greve foi organizada por sindicalistas que por serem politizados se filiaram a partidos, sendo o PT a maior parte do sindicato. O que inclusive foi benéfico, já que rendeu um parecer de inconstitucionalidade sobre o CU (caixa único) do Beto Richa, vindo da Advocacia Geral da União. Esse sim, um pedido assinado pelo PT e pelo PMDB.

Porém ter pessoas filiadas a partidos, buscando apoio contra os atentados que se davam no campo político, não significa que este tenha sido um movimento partidário. Não podemos esquecer que todas as ações passaram por ampla discussão aberta para a população, já que qualquer um podia chegar no mais bem localizado acampamento do Paraná. Sediado nas portas do Palácio Iguaçu, sendo todas as ideias apresentadas submetidas a uma assembleia, que inclusive optou pelo fim da greve, graças à devolução dos seus direitos.

15 mil professores em assembleia para definir os rumos da greve.

Enquanto isso parlamentares aparecem na televisão falando que a greve, desencadeada pela péssima conduta do governador para com a educação, foi apenas partidária. Chamando inclusive os benefícios que possuímos de merda (excrescência), enquanto gastam seus auxílios moradias sancionados pelo PSDB em Miami comprando ternos.

Então quando chegamos neste ponto concluímos que devemos odiar o PSDB e que ele é o culpado por toda a maldição educacional que lega ao Brasil um dos piores sistemas educacionais do mundo? Se parássemos nisso certamente estaríamos apenas corroborando com a pequenez das análises compradas pelos governantes dos diferentes partidos. Aquelas onde um lado sempre está representando o bem, frente a uma onda maligna que se aproxima para dar um golpe; seja socialista; seja diretamente ao poder.

Não podemos comparar a condução das crescentes dificuldades econômicas vividas pelo país, com os atentados atabalhoados promovidos pelo governador Beto Richa, que teve que retroceder em todo seu alvitamento. Mas não podemos negligenciar que a contenção dos recursos do governo, a nível nacional, também não tem atingido os setores que precisam ser saneados.

Não vamos esquecer que, na mesma medida que o governo corta R$ 7 bilhões na educação, ele estuda a construção de novos prédios para alocar o número crescente de servidores federais. O que não faz do governo Dilma o mais bonito dos governos.

Precisamos enxergar que para nos tornarmos uma “Pátria Educadora” precisamos de uma forte reforma ética em nossa sociedade. Onde nossos legisladores sejam submetidos à lei para que o dinheiro público possa ser aproveitado na sua devida finalidade. Um fator bastante promissor do governo Dilma, que tem no mínimo procurado investigar os casos de corrupção existentes em nosso país.

Não consigo acreditar que vejo pessoas observarem as investigações e atribuírem a culpa pela corrupção apenas à presidente. Enquanto aqueles que estavam declaradamente sujando as mãos – e não estou falando dos peixes pequenos – continuam aproveitando a oclusão ignorante dos olhos populares para em silêncio esperar o esquecimento midiático das suas responsabilidades. Como a corrupção instituída no PP, a não assinatura pelo PSDB da CPI do HSBC, Renan Calheiros e Eduardo Cunha citados no escândalo da Petrobras, dentre tantas outras situações que só deveriam levar os brasileiros a refletirem sobre sua leviandade eleitoral.

Os impactos dessa má gestão dos recursos públicos, atribuída a um bolo mau repartido entre interesses oligárquicos, também relega a educação a um espaço de má conservação e pouco investimento. O que contribui para a construção de um ambiente negativo e insalubre onde a aprendizagem de milhares que crianças vem sendo diminuída pela falta de repasses diretos do Governo Federal às Escolas desde o segundo semestre de 2014.

Concluindo que se no Ensino Fundamental Segunda Fase e Médio, vemos uma Unidade Federativa (Paraná) que deseja depreciar seu sistema educacional. Nos Municípios tem faltado o apoio que precisam para manterem suas responsabilidades com os primeiros anos daqueles que serão o nosso futuro.

Porém o maior golpe promovido pelo Governo Federal será às Instituições de Ensino Superior (IES), que já experimentam um retrocesso no financiamento estudantil, como nos repasses para o pagamento das bolsas nas Universidades Particulares. Onde estudam as camadas mais pobres da população. Diminuindo não apenas o acesso ao Ensino Superior, mas também diminuindo a contribuição do governo no fomento da pesquisa e extensão, que deveriam ser os pilares da formação universitária.

Golpe promovido por um corte exacerbado que atingiu prioritariamente o ministério considerado mais importante a uma PÁTRIA que se julga EDUCADORA, que obviamente não se restringirão apenas às viagens e gastos midiáticos como justificou a presidente. Cortes que consumiram a ordem de R$ 7 bilhões dos cofres do MEC sem pesar a importância das diferentes prioridades do governo em relação a sua população.

Sendo que enquanto o conhecimento e o pensamento sofrem com esses atentados, uma nação burra tem se digladiado para ver quem aponta melhor um culpado. Cultivamos relações violentas para garantir que o outro não tenha uma opinião divergente e criamos milícias para impor as nossas vontades. Quando na verdade deveríamos nos unir para exigir a transparência e a ética, que retirariam do fundo do tapete o dinheiro que precisamos para solucionar nossa crise financeira.

Cansado

Estou me sentindo cansado. Na verdade acho os finais de ano sempre horríveis, pois para nós professores é o momento onde nos preparamos para a maior carga de assédio moral. Aliada a maior carga de trabalho e fechamentos de notas. Dessa maneira influenciados pelo cansaço nos sentimos tristes e manifestamos aquilo que guardamos por todo o ano.

Me sinto cansado das crises de ansiedade. Sentir meu coração pular no meu peito sem estar próximo de quem faz ele palpitar é ruim, pois traz consigo a carga das negatividades psicológicas do meu trabalho. Me faz ter pensamentos ruins e acreditar por alguns momentos que realmente tudo vai dar errado, ou que não vou ter forças para suportar mais um momento de tensão. O pior é que parece tudo tão fácil e pequeno, mas aos olhos de uma mente cansada tudo fica complexo e monstruoso. As coisas se transformam e ficam muito difíceis de concluir.

Nessas horas sinto que é mais fácil mudar de área e tenho certeza de que não quero mais isso pra mim. Começo a mandar currículos e a anunciar o meu desejo de recomeçar e encontrar algo que me dê mais prazer.

Enquanto escrevo esse texto, pois estou cansado, minha cabeça me diz: Comece a fechar as notas, termine de preencher seus livros, prepare suas provas de recuperação final, termine de escrever os relatórios dos seus alunos, prepare aula, corrija trabalhos, e escreva aquele texto que te pediram para escrever. E eu só posso pensar que estou cansado de mais para continuar e tão atarefado quanto para ir dormir.

Desistir parece uma opção bem viável as vezes, mas talvez a esperança me faça continuar. A esperança de que leis possam motivar mudanças verdadeiras em nosso trabalho nos levando a plenitude da docência. De verdade eu não sei o que me faz continuar no final do ano além da esperança de ter férias, já que me sinto triste e acho que muitos assim como eu se sentem pressionados e tristes.

O pior é que quando vem as férias e o cansaço vai embora o que vem é a saudade. Saudade da mais ingrata gratificante profissão. Pois ver a transformação e o amadurecimento dos meus alunos não tem preço. Exceto a minha saúde enquanto as pessoas não conseguirem enxergar a importância de nós professores.

O Coelho de Pelúcia (Reflexões)

‘Trecho: O Coelho de Pelúcia (Como brinquedos se tornam reais). 

“O que é REAL?” perguntou o Coelho um dia. “Significa ter coisas que zumbem dentro de você e uma manivela saliente?”

“Real não é como você é fabricado”, disse o Cavalo de Pele. “É algo que acontece com você”.

“Quando uma criança o ama por um longo, longo tempo, não apenas para brincar (brinca) com você, mas REALMENTE ama você, então você se torna Real”.

“Isso machuca?”

“Hummmmmm… às vezes”, ele era sempre sincero. “Quando você é Real você não se preocupa em ser machucado”.

“Isso acontece tudo de repente, como quando alguém lhe dá corda ou aos poucos?”

“Isso não acontece tudo de repente… Você se torna (transforma). Demora um longo tempo. Por isso não acontece freqüentemente para as pessoas que se quebram facilmente, ou que têm bordas afiadas, ou que têm que ser guardadas com cuidado”.

“Geralmente, quando você se torna Real, a maior parte de seu cabelo foi (amorosamente) arrancada, e seus olhos caem e você se torna frouxo nas juntas e muito surrado”.

Mas estas coisas não importam no entanto, porque uma vez que você é Real, você não pode ser feio, exceto para pessoas que não compreendem”.

“Eu suponho, você é real?” (Eu suponho que você seja real?) E então ele desejou não ter dito aquilo, porque ele pensou que o Cavalo de Pele poderia ficar sentido. Mas o Cavalo de Pele somente sorriu.

“O Tio do Menino me tornou Real. Isso foi há muitos anos atrás, mas uma vez que você é Real você não pode tornar-se irreal outra vez. Isso dura para sempre.”

Margery Williams, 1922.’

E Eu com isso?!

Lendo esse trecho eu consigo facilmente perceber como ele conversa com a minha vida e me mostra como a desconstrução dos meus preconceitos, a superação das minhas crises, os traumas do meu passado e os desequilíbrios do meu presente, são partes integrantes da construção do meu indivíduo.

Consigo perceber o quanto erro, e que esses erros repercutem nas minhas atitudes futuras e na construção do meu ser. Percebo que com o tempo, não sou mais aquele brinquedo novo, bonito, funcional e que sempre é agradável.

Achando que estou fazendo o certo cometo deslizes que me sujam, afrouxam minhas engrenagens, desbotam as cores dos meus anseios iniciais e trazem marcas que irão se perpetuar por toda a minha vida e nas minhas relações interpessoais. Na mesma medida em que os indivíduos me conhecem plenamente.

Esses desgastes fazem parte de quem eu sou, porém sem respeitar meus próprios ideais, as vezes, eles se mostram em momentos inadequados; onde mais do que nunca eu gostaria de ser novo e não possuir Falhas. Machucados que nem sempre surgiram por amor, mas que serviram para a construção do meu Eu, na medida em que optei por seguir em frente, para garantir que eu seria Real um dia, com base nas minhas próprias experiências.

Pude por experiência própria notar que pessoas que são presas em uma zona de conforto para não se machucar, não conseguem ser Reais; podem até ser lindos objetos decorativos, mas nunca terão a profundidade de uma experiência verdadeira, pois terão medo. Observei, com esses olhos que a terra a de comer haha.., que quem da corda em manivelas e imita o que acha que está em evidência, não está sendo real e pela repetição está fadado ao esquecimento. Percebi que pessoas falsas até podem ser intensas mas são rasas e nunca vão poder concluir o que não começaram. E entendi que a maior parte do ser real está em se permitir errar e aceitar as marcas dos erros cometidos, aprendendo com eles.

Infelizmente se transformar em real é capaz de deixar marcas muito profundas, na medida em que não podemos controlar o impacto das nossas atitudes naqueles com quem convivemos. E que isso muitas vezes é capaz de repercutir em outras pessoas, para quem nunca pretendíamos deixar de ser novos. Porém até nisso existe beleza, pois é assim que nossos amigos conhecem nossas manchas e descosturas. Trazendo para a nossa vida reparos, ou mesmo novas marcas, pois cada um traz consigo uma História. Transformando momentos em verdadeiros laços que começam a surgir, pois com a visualização dos defeitos é que entendemos a beleza que existe por trás deles.

Dessa forma, por um lado, devo infinitas desculpas aos meus amigos que precisam conviver com tantas marcas e dores, que angustiado eu espero a cicatrização. Também peço perdão sincero, por não saber quais são as”bactérias” que essas experiências podem carregar. Mas eu tenho ainda mais a agradecer aos meus amigos pela oportunidade de ser verdadeiro, nas minhas vivências, enquanto minhas marcas me tornam único, especial para mim mesmo e real.

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Por favor, poderia não me xingar por querer ser feminista ?!

O feminismo enquanto movimento social liderado por mulheres encara a participação dos homens com alguma dificuldade e restrição, pois ou acredita que na totalidade deles existe o cerne do machismo; ou desacredita no potencial de desconstrução do estatuto patriarcal vigente, por parte dos cis. Porém discussões feministas restritas às mulheres cis levam o movimento a uma limitação natural da desconstrução dos preconceitos sociais. Pois homens ou mulheres não vivem em sociedades separadas, apesar de não gozarem dos mesmos direitos na misógina sociedade em que vivemos. O que leva a entender que, debater o feminismo separadamente é uma sugestão tão machista quanto a ideia de excluir eles do debate.

Homens não tem útero, não são mulheres, mas muitos deles tem cérebro e alteridade e gostariam de quebrar esse isolacionismo, criando identificação e a naturalização de novos conceitos sociais.

Assim como em outras desconstruções acredito que essa discussão até pode ser feita em meios isolados, porém sem o apoio das mulheres a alteridade se torna muito difícil. Ao se abrir alguns espaços para que os homens que se interessam pelo feminismo possam apoiar, conhecer e opinar sobre o movimento, ou o aborto, ou seja lá qual for o problema social, abre-se um canal direto para que esse assunto possa ser verdadeiramente debatido e desconstruído. Até mesmo sem afetar o objetivo final da discussão, que é o direito de decisão sobre próprio corpo.

Inclusive talvez desconstrução seja a palavra chave neste caso, pois preconceber está intimamente ligado a desconhecer. Dessa maneira ao apontar caminhos éticos para a compreensão do direito de abortar, é como ensinar um analfabeto a ler um livro que está em suas próprias mãos. Já que o homem também está envolvido na fecundação.

Quando se nega esta participação apenas está se mantendo um analfabeto com o mesmo livro na mão, porém apenas olhando as imagens dos fetos mortos.  O que pode ser um tanto chocante sem a devida reforma ética, que precisa ser construída, frente uma crescente e deturpada moral religiosa. 

Se hoje me posiciono pelo direito da mulher decidir é porque construí esses conceitos por meio do debate com amigas feministas. Dessa forma não posso deixar de afirmar que a naturalização dos conceitos também precisa ser discutida com homens. Sendo o objetivo desconstruir uma ética medievalesca que segrega homens de um lado e mulheres de outro, onde alguém sempre precisa ser superior.

Entendo que em uma sociedade machista, heteronormativa e patriarcal, homens que se interessam em desconstruir o entendimento que os mantém no topo dos estamentos sociais são raros. Porém privar aqueles que gostariam de aprender, por meio do debate – e quem sabe embate – de opiniões, limita o poder de naturalização dos princípios éticos feministas. Para opinar, e debater os homens necessitam de opinião própria. Os feministos não devem se furtar ao direito de desconstruir seus preconceitos e continuar aprendendo por meio da opinião. Até porque é com a expansão desse debate que a causa feminista vai verdadeiramente conseguir entrar nos “bares”, nas “obras” desconstruindo todos esses ambientes misóginos que permeiam nossa sociedade.

As vezes sinto que a egrégora feminista acredita que os feministos tem uma intenção, quase inconsciente, de impor suas vontades sobre o corpo da mulher, de maneira a satisfazer sua primazia. Impor ao meu ver é muito diferente de opinar. Impor também é inferir que eu estarei sábado e domingo em um bar atentando contra mulheres. Impor é mandar que um homem se cale e escute o que é certo no feminismo sem ter a oportunidade de expressar suas ideias, para criar novos parâmetros sociais corretos. Generalizar de certa forma também é impor.

Porém, reproduzir um discurso que não foi incorporado ao seu “estatuto do indivíduo” sem estabelecer parâmetros morais que o satisfaçam, apenas mascara os preconceitos com uma nuvem de silencio. Legislar sem debater e desconstruir, é só mais uma forma de manter o preconceito à brasileira já existente.

É lógico que eu sei que não sou a maioria. Mas não ser bem recebido em uma luta, que também é minha, apenas segrega. A luta pela naturalização de um novo estatuto individual relativista e igualitário não é só das mulheres. Quando o debate se encontra com essa limitação ele não penetra na macro-esfera social, onde todos os gêneros deveriam conviver; e a relativização dos conceitos éticos não ocorre.

Só ouvir não é aprender, só ouvir é se sujeitar e eu acredito que essa não é a ideia!

Malfeito Feito.. Maquiavel após esquadrão da Moda? (Golpe de 64?)

Parece que o livro que trazia o caminho para uma Itália unificada caiu em mãos erradas. Seguindo passos um tanto quanto conhecidos a elite tenta promover o terror e o medo, com apoio da mídia, para tentar ressuscitar antigos movimentos manipulatórios com intuito de descredibilizar o governo brasileiro.

Sempre é legal lembrar que “Há três espécies de cérebros: uns entendem por si próprios; os outros discernem o que os primeiros entendem; e os terceiros não entendem nem por si próprios nem pelos outros; os primeiros são excelentíssimos; os segundos excelentes; e os terceiros totalmente inúteis” (Maquiavel). Porém o medo se dá na medida em que a deterioração do pensamento crítico tem transformado uma parcela cada vez maior das pessoas em “inúteis”. Mera massa de manobra política, como observado em tempos passados, onde com o slogan certo pode-se enganar uma parte dos “Homens de Bem” (2014), os levando para a “Marcha da Família com Deus para a Liberdade”(1964).

Porém como justificar que, com imensos e reconhecidos benefícios humanitários, um governo pudesse ser julgado como errôneo e incoerente em todos os aspectos; tão profundamente a ponto de arriscar a liberdade democrática nacional?

Obviamente que observando melhor o discurso maquiavélico fica mais fácil entender como a elite, que hoje perde sua hegemonia para uma crescente classe média, se debate para criar falácias sem compromisso nenhum com a verdade, para que utilizando-se do poder midiático possa manipular cabeças, que não foram acostumadas a pensar politicamente, devido a um sistema educacional fracassado. Legitimando mentiras e manipulando verdades a seu favor.

20060816_revista_veja_capaRevista diz que Lula e Dilma sabiam do esquema

Observe que por meio da mídia também é fácil e interessante disseminar o ódio. Angariando dessa maneira o apoio da elite que tem perdido o direito de explorar, aproveitando que o ódio cria raízes muito mais profundas nas grandes disputas políticas. Atacar as minorias se torna uma das maneiras mais rápidas de realocar e nomear a insatisfação das pessoas, que por desconhecimento das diferenças podem rotular como precisarem as “jovens domésticas negras e nordestinas que ganham salário mínimo” (Observe a capa da revista Veja). Assim como aos demais grupos sociais onde se estimule o ódio.

Aproximar esse sentimento de ódio ao governo é muito fácil para uma oligarquia que perde seu espaço colonialista dentro da sociedade. Já que “o fim justifica os meios”, e não se tem conseguido justificar essa perca de poder político por parte das mais tradicionais famílias do Brasil. Dessa forma vou repetir um pensamento e lembrar que estamos ouvindo: “…estamos ferrados!” “Façamos a revolução…”, que não passam de pequenos fragmentos de uma elite que regurgita: “se a canalha se põe a pensar estamos ferrados”, “façamos a revolução antes que o povo a faça”.

Manipular e mobilizar o ódio popular é apenas um recurso antigo, utilizado por diferentes governos, para legitimar golpes democráticos a partir de medos introjetados na sociedade de diferentes maneiras. Como o medo do comunismo hollywoodiano, onde em casos aleatórios podemos mencionar o “Plano COHEN”, falso golpe comunista que deu origem ao Estado Novo em 1937. A péssima publicidade do discurso “comunista” feito por Jango no Automóvel Clube aos militares, que gerou o Golpe Militar em 1964. Ou a descredibilização das Eleições de 2014.

pedindo o fim da democracia. "Acredite se quiser".

pedindo o fim da democracia. “Acredite se quiser”.

Protesto atual pedindo a intervenção militar.

Protesto atual pedindo a intervenção militar.

Plano Cohen - 1937.

Plano Cohen – 1937.

Marcha da Família com Deus para a Liberdade - 1964.

Marcha da Família com Deus para a Liberdade – 1964.

Tal apelação se dá pela necessidade da perpetuação das nossas oligarquias feudais, do século XXI, no poder. Pois considerando o risco de quebrar o ciclo da pobreza – quando se garantem direitos essenciais como educação e alimentação, de uma maneira universalizada – lembra-se novamente de Maquiavel. Dessa forma “os frutos da pobreza são melhores que os da riqueza”, pois quando riqueza intelectual, cultural e financeira é distribuída, o poder da Virtú (virtude maquiavélica) mostra sua verdadeira face e se desmantela. Poderia continuar e falar de aspectos publicitários marcantes da disputa eleitoral; porém sei que me estenderia muito e não traria maior relevância ao debate, exceto apontar “quens” e “comos” facilmente constatáveis.

Porém é importante salientar que “quando a História se repete, se repete falsamente”, pois pessoas, sistemas e modos cíclicos se transformam com a cronologia, trazendo bastante conforto para afirmar que: Não somos as mesmas pessoas e Não esquecemos nossa própria História que é marcada por abusos e violência. Não comeremos de novo essa mistura pronta para bolo, na qual só comem os abastados.

protesto mfdl

A Política Uruguaia e o TERROR da direita vanguardista brasileira (Voto Crítico)

Estava outro dia conversando sobre as eleições quando ouvi um retumbante “Não podemos deixar mais o governo do PT no poder, isso se transformará em uma ditadura”. E fiquei bastante reflexivo com esta declaração pensando se realmente existe essa possibilidade.

Lógico que para realizar esta análise eu tive que excluir o fato da nossa presidente ter sido vítima da repressão ditatorial direitista, participando em grupos armados como o VAR-Palmares, lutando pelas aspirações socialistas que a motivavam.

Para tal análise tomei por base o texto de Constanza Moreira do Departamento de Ciência Política da Universidad de la República, Uruguai que explica a evolução do eleitorado e das esquerdas nos dois países. Usando a Frente Ampla no Uruguai, e por meio do Partido dos Trabalhadores no Brasil. Deixando claro que tão pouco acredito que o PT seja a melhor solução para os problemas que o Brasil precisa enfrentar, mas que me parece a única alternativa viável para a manutenção da democracia inclusiva que nos permeia.

Dentre os fatores analisados a própria tradição prestigiosa das oligarquias dominantes do Brasil levam a população a privilegiar politicamente elites que teoricamente já se encontram no comando do país. Como um clientelismo onde sentir o poder por meio da propaganda basta ou seja, onde 100 reais da venda de um voto bastam para “Sentir o poder, sem ter”.

O brasileiro não está acostumado a tratar com direitos éticos que não se subordinem a interesses oligárquicos/religiosos, pois está sujeito a uma relação abusiva entre poderosos e subordinados.Uma concepção em que se existir um “superpoderoso” precisa existir uma massa de miseráveis que o acompanham. Sendo essa a reclamação da ascendente classe média “alta” brasileira que não pode explorar minorias e pobres como tradicionalmente ocorre no Brasil. País que com soluções próprias tem criado uma democracia cada vez mais inclusiva e participativa por meio de ações verdadeiramente educativas como o PROUNI e o BOLSA FAMÌLIA, que por meio da educação geram inúmeras possibilidades de renovação e contato com a noosfera – que é em geral extremamente elitista – partindo dos estamentos mais baixos da nossa sociedade. Assustando a elite política do país que dessa forma deixa de ser exclusiva e passa a um status democratizante.

Incluir minorias e esquerdas na noosfera brasileira, dentro de uma análise histórica de desconstrução de partidos e valores partidários em troca de interesses, remete o eleitorado cabrestante do país às primeiras ideologias que motivaram o surgimento dos partidos de esquerda nacionais; porém de uma maneira deturpada. Como se esse cunho social estivesse diretamente relacionado a um comunismo hollywoodiano, onde ditadores perpetrariam a exploração popular para proveito próprio, ou para interesses estrangeiros. Como de fato foi motivado por países pseudodemocráticos a outros como o Brasil. Já que é sabido que a efetivação do Golpe Militar em 64 foi respaldada por porta-aviões norte-americanos, ou mesmo em Cuba, tão demonizada hoje pela direita, com a Emenda Platt.

Porém ao se criar este clima de terror ultranacionalista, se esquecem de mencionar que o próprio partido da presidente no decorrer da sua história se afastou dos Partidos Comunistas nacionais se alinhando com direcionamentos mais liberais na construção da sua concepção de esquerda. Fator determinante para a manutenção de políticas liberalizadoras como a participação de empresas privadas na composição da Petrobras. Porém sem participar do surto liberal, mundial, da década de 90, o que limita a atuação das empresas estrangeiras no âmbito das empresas estatais do Brasil.

Dessa maneira a construção política da esquerda brasileira no âmbito do poder se afasta muito da Uruguaia que tem a sua sociedade representada por uma elite católica liberal ou laica. Onde o fortalecimento da Frente Ampla pode ser muito mais aproveitado pela própria elite, que não precisou se sentir suprimida pela expansão dos direitos sociais no país. Já que mesmo na ilegalidade sua esquerda estava organizada durante seu último regime militar, dissociando a ideia ditatorial do seu movimento; ou mesmo da sua construção ideológica, já que até 60% dos Uruguaios se sentem próximos à política de seu país. Onde a esquerda consegue perpetuar até 80% do seu eleitorado dentro das próprias famílias em razão da sua origem mais universalizada, com sindicalistas, esquerdistas e mesmo militares. Diferentemente do Partido dos “Trabalhadores”.

Porém de uma maneira muito similar, exceto no quesito ambiental, ambos os países tem tomado medidas modernizadoras e inclusivas, considerando o fato de o Brasil ser um país calcado em preconceitos e fortes oligarquias coloniais que procuram se perpetuar sugando os próprios estamentos mais baixos da sua sociedade.

A fraqueza da democracia brasileira está calcada nesta dicotomia entre um Congresso elitista e um executivo popular. O que resulta em um comportamento de exceção das “bancadas” mais conservadoras e que se veem ameaçadas por essas políticas que tem o potencial de suplantar as oligarquias dominantes no país, por meio da educação e da inclusão social forçada.

Fazendo com que ouçamos a todo tempo: “… estamos ferrados!”, “Façamos a Revolução…!”; quando na verdade ouvimos fragmentos de gritos elitistas como: “Se a canalha se põe a pensar, estamos ferrados!”, “Façamos a Revolução, antes que o povo a faça!”. Ouvimos ditadura, mas estamos ouvindo o medo da verdadeira democracia, já que neste ponto nos afastamos muito da laica sociedade uruguaia, que perpetua o poder da Frente Ampla a 15 anos e não se sente ameaçada.

Desta maneira justifico meu voto crítico na Dilma, que se mostra o único viés para a perpetuação deste modelo social e verdadeiramente democrático que está sendo implantado.

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O neoliberalismo trouxe à tona o que há de pior em nós

O texto do Blog “O Alienado” perfeitamente explica o crescimento e a multiplicação da violência contra as minorias na tentativa de submeter e inferiorizar para se autopromover e lucrar. Obviamente serve de referência para religiosos fundamentalistas que se usam de minorias para parecem fortalecidos diante da sociedade, já que essas minorias quando agredidas tem contra elas o poderoso “senso comum”.

O neoliberalismo trouxe à tona o que há de pior em nós (29/09/2014).