Uma Pátria Educadora em um País Burro!

Debatemos educação no maior momento de alienação egoísta de toda a História do nosso país. Enquanto a população busca a culpa de um partido, ou de uma pessoa, que assuma todo a insatisfação que a conjuntura econômica e política tem proporcionado à população brasileira. Uma quantidade de corruptos se fartam na pouca objetividade das nossas leis e métodos de regulação.

É uma crise ética de proporções inimagináveis que visivelmente nos leva a buscar um bode expiatório para o cenário de desestruturação que estamos vivendo. Enquanto uma sociedade falsamente moralista, que sonega mais de meio trilhão de reais ao governo, cultiva uma crítica violenta e quase fundamentalista contra os políticos do seu interesse. Usando a fralda do próximo que está suja para esconder a sua que está cheia.

O estado do Paraná, por exemplo, se encontra em um dos períodos mais sombrios para a educação, onde o patrimônio do povo é atacado para manter benefícios e privilégios dos burocratas do nosso estado. Aqueles a quem o conhecimento das corrupções que estamos submetidos, trazem os benefícios comprados às custas da não observância dos direitos do povo que deveriam proteger. Como se todo o problema ético e financeiro da política paranaense fosse mera manobra do PT.

retirado do fb de Vítor Teixeira

Ver a tentativa da incorporação do fundo Paraná previdência ao caixa financeiro estadual; o não pagamento do auxílio transporte, não recebimento do auxílio alimentação – benefícios dos servidores tidos como excrescência pelo presidente da Assembleia Legislativa do Paraná (ALEP), que recebe R$ 4300,00 apenas de auxílio moradia – serem tratados como obras malignas do PT, apenas me remete ao fato de que o governador do Paraná  e o presidente da ALEP são do PSDB.

Ver nossos administradores afirmarem na mídia que o desempenho pífio do nosso estado em todos os setores, incluindo a educação, se deve ao PT. É como se realmente estivessem confiando na ignorância que plantaram durante seus governos anteriores com muito sucesso.

Além disso os cortes de 10 mil profissionais em sala de aula, o que diminuiria sensivelmente a qualidade do sistema educacional., aumentando o número de alunos por turma. Nos remete aos anos 90, quando as turmas estavam abarrotadas em salas que nem possuíam ventilação. Mera obra do PT, calma.. peraí… o Beto Richa é de que partido mesmo???

Não podemos esquecer da extinção das salas de apoio em português e matemática. Algumas que inclusive serviam para alfabetizar os alunos que chegavam ao sexto ano sem saber ler. PT! (NÃOOOOO, OMG!)

Extinção dos cursos de línguas CELEM. Diminuição do quadro dos funcionários que realizam o apoio pedagógico como secretárias, inspetores e limpeza. Nossa educação, que já não garante igualdade de oportunidades, quase foi jogada praticamente a duas décadas de retrocesso, onde eramos governados pelo PT… PT?

No entanto ainda escuto pessoas falando que todos os professores são petistas, ou que só petistas participaram da greve que durou 29 dias parando o ensino público paranaense e que a culpa é da Dilma. Esquecendo que de acordo com a LDB estas instâncias do ensino são de competência das Unidades Federativas, sendo o Paraná governado pelo PT?

Claro que houveram interferências políticas, e é óbvio inclusive, se pensarmos que a greve foi organizada por sindicalistas que por serem politizados se filiaram a partidos, sendo o PT a maior parte do sindicato. O que inclusive foi benéfico, já que rendeu um parecer de inconstitucionalidade sobre o CU (caixa único) do Beto Richa, vindo da Advocacia Geral da União. Esse sim, um pedido assinado pelo PT e pelo PMDB.

Porém ter pessoas filiadas a partidos, buscando apoio contra os atentados que se davam no campo político, não significa que este tenha sido um movimento partidário. Não podemos esquecer que todas as ações passaram por ampla discussão aberta para a população, já que qualquer um podia chegar no mais bem localizado acampamento do Paraná. Sediado nas portas do Palácio Iguaçu, sendo todas as ideias apresentadas submetidas a uma assembleia, que inclusive optou pelo fim da greve, graças à devolução dos seus direitos.

15 mil professores em assembleia para definir os rumos da greve.

Enquanto isso parlamentares aparecem na televisão falando que a greve, desencadeada pela péssima conduta do governador para com a educação, foi apenas partidária. Chamando inclusive os benefícios que possuímos de merda (excrescência), enquanto gastam seus auxílios moradias sancionados pelo PSDB em Miami comprando ternos.

Então quando chegamos neste ponto concluímos que devemos odiar o PSDB e que ele é o culpado por toda a maldição educacional que lega ao Brasil um dos piores sistemas educacionais do mundo? Se parássemos nisso certamente estaríamos apenas corroborando com a pequenez das análises compradas pelos governantes dos diferentes partidos. Aquelas onde um lado sempre está representando o bem, frente a uma onda maligna que se aproxima para dar um golpe; seja socialista; seja diretamente ao poder.

Não podemos comparar a condução das crescentes dificuldades econômicas vividas pelo país, com os atentados atabalhoados promovidos pelo governador Beto Richa, que teve que retroceder em todo seu alvitamento. Mas não podemos negligenciar que a contenção dos recursos do governo, a nível nacional, também não tem atingido os setores que precisam ser saneados.

Não vamos esquecer que, na mesma medida que o governo corta R$ 7 bilhões na educação, ele estuda a construção de novos prédios para alocar o número crescente de servidores federais. O que não faz do governo Dilma o mais bonito dos governos.

Precisamos enxergar que para nos tornarmos uma “Pátria Educadora” precisamos de uma forte reforma ética em nossa sociedade. Onde nossos legisladores sejam submetidos à lei para que o dinheiro público possa ser aproveitado na sua devida finalidade. Um fator bastante promissor do governo Dilma, que tem no mínimo procurado investigar os casos de corrupção existentes em nosso país.

Não consigo acreditar que vejo pessoas observarem as investigações e atribuírem a culpa pela corrupção apenas à presidente. Enquanto aqueles que estavam declaradamente sujando as mãos – e não estou falando dos peixes pequenos – continuam aproveitando a oclusão ignorante dos olhos populares para em silêncio esperar o esquecimento midiático das suas responsabilidades. Como a corrupção instituída no PP, a não assinatura pelo PSDB da CPI do HSBC, Renan Calheiros e Eduardo Cunha citados no escândalo da Petrobras, dentre tantas outras situações que só deveriam levar os brasileiros a refletirem sobre sua leviandade eleitoral.

Os impactos dessa má gestão dos recursos públicos, atribuída a um bolo mau repartido entre interesses oligárquicos, também relega a educação a um espaço de má conservação e pouco investimento. O que contribui para a construção de um ambiente negativo e insalubre onde a aprendizagem de milhares que crianças vem sendo diminuída pela falta de repasses diretos do Governo Federal às Escolas desde o segundo semestre de 2014.

Concluindo que se no Ensino Fundamental Segunda Fase e Médio, vemos uma Unidade Federativa (Paraná) que deseja depreciar seu sistema educacional. Nos Municípios tem faltado o apoio que precisam para manterem suas responsabilidades com os primeiros anos daqueles que serão o nosso futuro.

Porém o maior golpe promovido pelo Governo Federal será às Instituições de Ensino Superior (IES), que já experimentam um retrocesso no financiamento estudantil, como nos repasses para o pagamento das bolsas nas Universidades Particulares. Onde estudam as camadas mais pobres da população. Diminuindo não apenas o acesso ao Ensino Superior, mas também diminuindo a contribuição do governo no fomento da pesquisa e extensão, que deveriam ser os pilares da formação universitária.

Golpe promovido por um corte exacerbado que atingiu prioritariamente o ministério considerado mais importante a uma PÁTRIA que se julga EDUCADORA, que obviamente não se restringirão apenas às viagens e gastos midiáticos como justificou a presidente. Cortes que consumiram a ordem de R$ 7 bilhões dos cofres do MEC sem pesar a importância das diferentes prioridades do governo em relação a sua população.

Sendo que enquanto o conhecimento e o pensamento sofrem com esses atentados, uma nação burra tem se digladiado para ver quem aponta melhor um culpado. Cultivamos relações violentas para garantir que o outro não tenha uma opinião divergente e criamos milícias para impor as nossas vontades. Quando na verdade deveríamos nos unir para exigir a transparência e a ética, que retirariam do fundo do tapete o dinheiro que precisamos para solucionar nossa crise financeira.

Cansado

Estou me sentindo cansado. Na verdade acho os finais de ano sempre horríveis, pois para nós professores é o momento onde nos preparamos para a maior carga de assédio moral. Aliada a maior carga de trabalho e fechamentos de notas. Dessa maneira influenciados pelo cansaço nos sentimos tristes e manifestamos aquilo que guardamos por todo o ano.

Me sinto cansado das crises de ansiedade. Sentir meu coração pular no meu peito sem estar próximo de quem faz ele palpitar é ruim, pois traz consigo a carga das negatividades psicológicas do meu trabalho. Me faz ter pensamentos ruins e acreditar por alguns momentos que realmente tudo vai dar errado, ou que não vou ter forças para suportar mais um momento de tensão. O pior é que parece tudo tão fácil e pequeno, mas aos olhos de uma mente cansada tudo fica complexo e monstruoso. As coisas se transformam e ficam muito difíceis de concluir.

Nessas horas sinto que é mais fácil mudar de área e tenho certeza de que não quero mais isso pra mim. Começo a mandar currículos e a anunciar o meu desejo de recomeçar e encontrar algo que me dê mais prazer.

Enquanto escrevo esse texto, pois estou cansado, minha cabeça me diz: Comece a fechar as notas, termine de preencher seus livros, prepare suas provas de recuperação final, termine de escrever os relatórios dos seus alunos, prepare aula, corrija trabalhos, e escreva aquele texto que te pediram para escrever. E eu só posso pensar que estou cansado de mais para continuar e tão atarefado quanto para ir dormir.

Desistir parece uma opção bem viável as vezes, mas talvez a esperança me faça continuar. A esperança de que leis possam motivar mudanças verdadeiras em nosso trabalho nos levando a plenitude da docência. De verdade eu não sei o que me faz continuar no final do ano além da esperança de ter férias, já que me sinto triste e acho que muitos assim como eu se sentem pressionados e tristes.

O pior é que quando vem as férias e o cansaço vai embora o que vem é a saudade. Saudade da mais ingrata gratificante profissão. Pois ver a transformação e o amadurecimento dos meus alunos não tem preço. Exceto a minha saúde enquanto as pessoas não conseguirem enxergar a importância de nós professores.

REPÚDIO a essa MÍDIA irresponsável que não tem noção da repercussão daquilo que DEFECA nas notícias que produz.

O site G1 noticiou a briga entre alunas de uma escola em Teresina com um estilete, onde o professor regente se retirou da sala de aula sem separar as meninas. A publicação enfatizava a última parte não deixando dúvidas sobre a atitude que deveria ter sido tomada pelo professor.

Na minha opinião o professor tinha que ter jogado uma bomba de gás no meio da briga, tirar seu cassetete da bolsa, ou mesmo sua arma de choque e entrar no meio. Porque com o colete a prova de balas que nós usamos cotidianamente, aliado ao treino de combate corpo a corpo, entrar no meio de uma briga onde o aluno possui um estilete é moleza.

Chamar ajuda do resto do corpo pedagógico da escola pode resultar em uma reportagem sensacionalista do G1 que apenas escolheu uma das vítimas como bode expiatório da situação. Num grosseiro ato de desmerecimento profissional do educador que na prática legal nem pode tocar no seu aluno.

Ainda não podendo esquecer que a falta de responsabilidade e sensibilidade com a qual a mídia SEMPRE trata os problemas escolares, acaba sendo uma das causas para a manutenção da mediocridade do sistema educacional do nosso país.

Atribuindo aos professores responsabilidades que são dos pais, do corpo pedagógico e mesmo de assistentes sociais, apenas contribuindo para a atual “Cultura do Contrário”. Onde os profissionais que se sujeitam a aprovar números são recompensados por meio de meritocracias estaduais. Onde alunos que não possuem uma conduta apropriada são valorizados com manchetes jornalísticas, mesmo que sejam nas páginas policiais. Onde pais ajudam pedagogos a se eximirem de suas responsabilidades pela rotina tanto doméstica como escolar.

Tudo com a anuência da mídia que protagoniza lindas propagandas de incentivo, mas que não sabe tratar assuntos educacionais críticos com seriedade. Dessa maneira continuaremos para sempre valorizando o mau aluno, o mau rendimento, o baixo comprometimento dos pais e o baixo envolvimento da comunidade escolar para lidar com os graves problemas da nossa educação. Isso porque é muito mais fácil responsabilizar o outro, a assumir seus erros e valorizar as boas atitudes.

Repensar o sistema educacional e assumir os verdadeiros números da nossa educação, no atual sistema político brasileiro, não é viável pois expõe problemas que certamente prejudicariam em muito as eleições. Tanto como propaganda negativa para um governo que seria verdadeiramente justo, como na extinção dos mais tradicionais currais eleitorais da nação. Por isso também no sistema educacional vigora o “jeitinho brasileiro”,sendo muito mais fácil certificar um analfabeto funcional com grau médio, a reter nem sei quantos por cento dos discentes para assumir seus erros e começar do negativo; já que o zero não pode ser atribuído neste caso.

Aliás, quem foi recompensada no final do dia com essa violência noticiada? Apenas a aluna agressora. Pois com a anuência da Escola, dos Pais e da Mídia o elo mais fraco da educação no Brasil – o professor – mais uma vez teve sua profissão descaracterizada e passou a ser considerado ou técnico em defesa pessoal, ou trouxa (sou mais pela Segunda opção).

Não vamos esquecer ainda que amanhã depois dessa noticia, que eu nem quero qualificar, quem vai entrar na sala desmoralizado, humilhado e com certeza abalado emocionalmente – já que tenho absoluta certeza que ele não vai receber apoio psicológico – será o professor.

Numa dessas ainda hei de ouvir alguém dizer que a notícia não foi nada de mais já que as meninas não estavam se matando literalmente. Mas como fica a exposição desse profissional, que sequer pode tocar em uma das alunas? Como fica a sua carreira depois de tamanha exposição? Como fica a sua imagem, quando se refere a uma profissão que é tratada como única responsável pela construção da moral.

Apesar de ser bonita a docência NÃO PODE SER TRATADA COMO SACERDÓCIO, pois incorreria na abstenção de direitos que todos possuímos enquanto profissionais. Inclusive no que diz respeito à intimidade. Não ser um mártir não significa que não exista comprometimento com os alunos, significa apenas que o docente se respeita enquanto profissional.

Acredito inclusive que o sindicato dos professores deveria se pronunciar frente a deturpação criada pela notícia. Já que não adianta fazer propaganda bonitinha que diz para as pessoas: Venham ser professor… É ótimo, maravilhoso… O mundo te respeita… Nós o respeitamos… Quando na hora de agir com seriedade tudo vira demagogia E/OU essa palhaçada sensacionalista.

http://g1.globo.com/pi/piaui/noticia/2014/11/jovens-brigam-em-sala-de-aula-com-estilete-e-professor-sai-sem-separa-las.html