Uma Pátria Educadora em um País Burro!

Debatemos educação no maior momento de alienação egoísta de toda a História do nosso país. Enquanto a população busca a culpa de um partido, ou de uma pessoa, que assuma todo a insatisfação que a conjuntura econômica e política tem proporcionado à população brasileira. Uma quantidade de corruptos se fartam na pouca objetividade das nossas leis e métodos de regulação.

É uma crise ética de proporções inimagináveis que visivelmente nos leva a buscar um bode expiatório para o cenário de desestruturação que estamos vivendo. Enquanto uma sociedade falsamente moralista, que sonega mais de meio trilhão de reais ao governo, cultiva uma crítica violenta e quase fundamentalista contra os políticos do seu interesse. Usando a fralda do próximo que está suja para esconder a sua que está cheia.

O estado do Paraná, por exemplo, se encontra em um dos períodos mais sombrios para a educação, onde o patrimônio do povo é atacado para manter benefícios e privilégios dos burocratas do nosso estado. Aqueles a quem o conhecimento das corrupções que estamos submetidos, trazem os benefícios comprados às custas da não observância dos direitos do povo que deveriam proteger. Como se todo o problema ético e financeiro da política paranaense fosse mera manobra do PT.

retirado do fb de Vítor Teixeira

Ver a tentativa da incorporação do fundo Paraná previdência ao caixa financeiro estadual; o não pagamento do auxílio transporte, não recebimento do auxílio alimentação – benefícios dos servidores tidos como excrescência pelo presidente da Assembleia Legislativa do Paraná (ALEP), que recebe R$ 4300,00 apenas de auxílio moradia – serem tratados como obras malignas do PT, apenas me remete ao fato de que o governador do Paraná  e o presidente da ALEP são do PSDB.

Ver nossos administradores afirmarem na mídia que o desempenho pífio do nosso estado em todos os setores, incluindo a educação, se deve ao PT. É como se realmente estivessem confiando na ignorância que plantaram durante seus governos anteriores com muito sucesso.

Além disso os cortes de 10 mil profissionais em sala de aula, o que diminuiria sensivelmente a qualidade do sistema educacional., aumentando o número de alunos por turma. Nos remete aos anos 90, quando as turmas estavam abarrotadas em salas que nem possuíam ventilação. Mera obra do PT, calma.. peraí… o Beto Richa é de que partido mesmo???

Não podemos esquecer da extinção das salas de apoio em português e matemática. Algumas que inclusive serviam para alfabetizar os alunos que chegavam ao sexto ano sem saber ler. PT! (NÃOOOOO, OMG!)

Extinção dos cursos de línguas CELEM. Diminuição do quadro dos funcionários que realizam o apoio pedagógico como secretárias, inspetores e limpeza. Nossa educação, que já não garante igualdade de oportunidades, quase foi jogada praticamente a duas décadas de retrocesso, onde eramos governados pelo PT… PT?

No entanto ainda escuto pessoas falando que todos os professores são petistas, ou que só petistas participaram da greve que durou 29 dias parando o ensino público paranaense e que a culpa é da Dilma. Esquecendo que de acordo com a LDB estas instâncias do ensino são de competência das Unidades Federativas, sendo o Paraná governado pelo PT?

Claro que houveram interferências políticas, e é óbvio inclusive, se pensarmos que a greve foi organizada por sindicalistas que por serem politizados se filiaram a partidos, sendo o PT a maior parte do sindicato. O que inclusive foi benéfico, já que rendeu um parecer de inconstitucionalidade sobre o CU (caixa único) do Beto Richa, vindo da Advocacia Geral da União. Esse sim, um pedido assinado pelo PT e pelo PMDB.

Porém ter pessoas filiadas a partidos, buscando apoio contra os atentados que se davam no campo político, não significa que este tenha sido um movimento partidário. Não podemos esquecer que todas as ações passaram por ampla discussão aberta para a população, já que qualquer um podia chegar no mais bem localizado acampamento do Paraná. Sediado nas portas do Palácio Iguaçu, sendo todas as ideias apresentadas submetidas a uma assembleia, que inclusive optou pelo fim da greve, graças à devolução dos seus direitos.

15 mil professores em assembleia para definir os rumos da greve.

Enquanto isso parlamentares aparecem na televisão falando que a greve, desencadeada pela péssima conduta do governador para com a educação, foi apenas partidária. Chamando inclusive os benefícios que possuímos de merda (excrescência), enquanto gastam seus auxílios moradias sancionados pelo PSDB em Miami comprando ternos.

Então quando chegamos neste ponto concluímos que devemos odiar o PSDB e que ele é o culpado por toda a maldição educacional que lega ao Brasil um dos piores sistemas educacionais do mundo? Se parássemos nisso certamente estaríamos apenas corroborando com a pequenez das análises compradas pelos governantes dos diferentes partidos. Aquelas onde um lado sempre está representando o bem, frente a uma onda maligna que se aproxima para dar um golpe; seja socialista; seja diretamente ao poder.

Não podemos comparar a condução das crescentes dificuldades econômicas vividas pelo país, com os atentados atabalhoados promovidos pelo governador Beto Richa, que teve que retroceder em todo seu alvitamento. Mas não podemos negligenciar que a contenção dos recursos do governo, a nível nacional, também não tem atingido os setores que precisam ser saneados.

Não vamos esquecer que, na mesma medida que o governo corta R$ 7 bilhões na educação, ele estuda a construção de novos prédios para alocar o número crescente de servidores federais. O que não faz do governo Dilma o mais bonito dos governos.

Precisamos enxergar que para nos tornarmos uma “Pátria Educadora” precisamos de uma forte reforma ética em nossa sociedade. Onde nossos legisladores sejam submetidos à lei para que o dinheiro público possa ser aproveitado na sua devida finalidade. Um fator bastante promissor do governo Dilma, que tem no mínimo procurado investigar os casos de corrupção existentes em nosso país.

Não consigo acreditar que vejo pessoas observarem as investigações e atribuírem a culpa pela corrupção apenas à presidente. Enquanto aqueles que estavam declaradamente sujando as mãos – e não estou falando dos peixes pequenos – continuam aproveitando a oclusão ignorante dos olhos populares para em silêncio esperar o esquecimento midiático das suas responsabilidades. Como a corrupção instituída no PP, a não assinatura pelo PSDB da CPI do HSBC, Renan Calheiros e Eduardo Cunha citados no escândalo da Petrobras, dentre tantas outras situações que só deveriam levar os brasileiros a refletirem sobre sua leviandade eleitoral.

Os impactos dessa má gestão dos recursos públicos, atribuída a um bolo mau repartido entre interesses oligárquicos, também relega a educação a um espaço de má conservação e pouco investimento. O que contribui para a construção de um ambiente negativo e insalubre onde a aprendizagem de milhares que crianças vem sendo diminuída pela falta de repasses diretos do Governo Federal às Escolas desde o segundo semestre de 2014.

Concluindo que se no Ensino Fundamental Segunda Fase e Médio, vemos uma Unidade Federativa (Paraná) que deseja depreciar seu sistema educacional. Nos Municípios tem faltado o apoio que precisam para manterem suas responsabilidades com os primeiros anos daqueles que serão o nosso futuro.

Porém o maior golpe promovido pelo Governo Federal será às Instituições de Ensino Superior (IES), que já experimentam um retrocesso no financiamento estudantil, como nos repasses para o pagamento das bolsas nas Universidades Particulares. Onde estudam as camadas mais pobres da população. Diminuindo não apenas o acesso ao Ensino Superior, mas também diminuindo a contribuição do governo no fomento da pesquisa e extensão, que deveriam ser os pilares da formação universitária.

Golpe promovido por um corte exacerbado que atingiu prioritariamente o ministério considerado mais importante a uma PÁTRIA que se julga EDUCADORA, que obviamente não se restringirão apenas às viagens e gastos midiáticos como justificou a presidente. Cortes que consumiram a ordem de R$ 7 bilhões dos cofres do MEC sem pesar a importância das diferentes prioridades do governo em relação a sua população.

Sendo que enquanto o conhecimento e o pensamento sofrem com esses atentados, uma nação burra tem se digladiado para ver quem aponta melhor um culpado. Cultivamos relações violentas para garantir que o outro não tenha uma opinião divergente e criamos milícias para impor as nossas vontades. Quando na verdade deveríamos nos unir para exigir a transparência e a ética, que retirariam do fundo do tapete o dinheiro que precisamos para solucionar nossa crise financeira.

REPÚDIO a essa MÍDIA irresponsável que não tem noção da repercussão daquilo que DEFECA nas notícias que produz.

O site G1 noticiou a briga entre alunas de uma escola em Teresina com um estilete, onde o professor regente se retirou da sala de aula sem separar as meninas. A publicação enfatizava a última parte não deixando dúvidas sobre a atitude que deveria ter sido tomada pelo professor.

Na minha opinião o professor tinha que ter jogado uma bomba de gás no meio da briga, tirar seu cassetete da bolsa, ou mesmo sua arma de choque e entrar no meio. Porque com o colete a prova de balas que nós usamos cotidianamente, aliado ao treino de combate corpo a corpo, entrar no meio de uma briga onde o aluno possui um estilete é moleza.

Chamar ajuda do resto do corpo pedagógico da escola pode resultar em uma reportagem sensacionalista do G1 que apenas escolheu uma das vítimas como bode expiatório da situação. Num grosseiro ato de desmerecimento profissional do educador que na prática legal nem pode tocar no seu aluno.

Ainda não podendo esquecer que a falta de responsabilidade e sensibilidade com a qual a mídia SEMPRE trata os problemas escolares, acaba sendo uma das causas para a manutenção da mediocridade do sistema educacional do nosso país.

Atribuindo aos professores responsabilidades que são dos pais, do corpo pedagógico e mesmo de assistentes sociais, apenas contribuindo para a atual “Cultura do Contrário”. Onde os profissionais que se sujeitam a aprovar números são recompensados por meio de meritocracias estaduais. Onde alunos que não possuem uma conduta apropriada são valorizados com manchetes jornalísticas, mesmo que sejam nas páginas policiais. Onde pais ajudam pedagogos a se eximirem de suas responsabilidades pela rotina tanto doméstica como escolar.

Tudo com a anuência da mídia que protagoniza lindas propagandas de incentivo, mas que não sabe tratar assuntos educacionais críticos com seriedade. Dessa maneira continuaremos para sempre valorizando o mau aluno, o mau rendimento, o baixo comprometimento dos pais e o baixo envolvimento da comunidade escolar para lidar com os graves problemas da nossa educação. Isso porque é muito mais fácil responsabilizar o outro, a assumir seus erros e valorizar as boas atitudes.

Repensar o sistema educacional e assumir os verdadeiros números da nossa educação, no atual sistema político brasileiro, não é viável pois expõe problemas que certamente prejudicariam em muito as eleições. Tanto como propaganda negativa para um governo que seria verdadeiramente justo, como na extinção dos mais tradicionais currais eleitorais da nação. Por isso também no sistema educacional vigora o “jeitinho brasileiro”,sendo muito mais fácil certificar um analfabeto funcional com grau médio, a reter nem sei quantos por cento dos discentes para assumir seus erros e começar do negativo; já que o zero não pode ser atribuído neste caso.

Aliás, quem foi recompensada no final do dia com essa violência noticiada? Apenas a aluna agressora. Pois com a anuência da Escola, dos Pais e da Mídia o elo mais fraco da educação no Brasil – o professor – mais uma vez teve sua profissão descaracterizada e passou a ser considerado ou técnico em defesa pessoal, ou trouxa (sou mais pela Segunda opção).

Não vamos esquecer ainda que amanhã depois dessa noticia, que eu nem quero qualificar, quem vai entrar na sala desmoralizado, humilhado e com certeza abalado emocionalmente – já que tenho absoluta certeza que ele não vai receber apoio psicológico – será o professor.

Numa dessas ainda hei de ouvir alguém dizer que a notícia não foi nada de mais já que as meninas não estavam se matando literalmente. Mas como fica a exposição desse profissional, que sequer pode tocar em uma das alunas? Como fica a sua carreira depois de tamanha exposição? Como fica a sua imagem, quando se refere a uma profissão que é tratada como única responsável pela construção da moral.

Apesar de ser bonita a docência NÃO PODE SER TRATADA COMO SACERDÓCIO, pois incorreria na abstenção de direitos que todos possuímos enquanto profissionais. Inclusive no que diz respeito à intimidade. Não ser um mártir não significa que não exista comprometimento com os alunos, significa apenas que o docente se respeita enquanto profissional.

Acredito inclusive que o sindicato dos professores deveria se pronunciar frente a deturpação criada pela notícia. Já que não adianta fazer propaganda bonitinha que diz para as pessoas: Venham ser professor… É ótimo, maravilhoso… O mundo te respeita… Nós o respeitamos… Quando na hora de agir com seriedade tudo vira demagogia E/OU essa palhaçada sensacionalista.

http://g1.globo.com/pi/piaui/noticia/2014/11/jovens-brigam-em-sala-de-aula-com-estilete-e-professor-sai-sem-separa-las.html

Malfeito Feito.. Maquiavel após esquadrão da Moda? (Golpe de 64?)

Parece que o livro que trazia o caminho para uma Itália unificada caiu em mãos erradas. Seguindo passos um tanto quanto conhecidos a elite tenta promover o terror e o medo, com apoio da mídia, para tentar ressuscitar antigos movimentos manipulatórios com intuito de descredibilizar o governo brasileiro.

Sempre é legal lembrar que “Há três espécies de cérebros: uns entendem por si próprios; os outros discernem o que os primeiros entendem; e os terceiros não entendem nem por si próprios nem pelos outros; os primeiros são excelentíssimos; os segundos excelentes; e os terceiros totalmente inúteis” (Maquiavel). Porém o medo se dá na medida em que a deterioração do pensamento crítico tem transformado uma parcela cada vez maior das pessoas em “inúteis”. Mera massa de manobra política, como observado em tempos passados, onde com o slogan certo pode-se enganar uma parte dos “Homens de Bem” (2014), os levando para a “Marcha da Família com Deus para a Liberdade”(1964).

Porém como justificar que, com imensos e reconhecidos benefícios humanitários, um governo pudesse ser julgado como errôneo e incoerente em todos os aspectos; tão profundamente a ponto de arriscar a liberdade democrática nacional?

Obviamente que observando melhor o discurso maquiavélico fica mais fácil entender como a elite, que hoje perde sua hegemonia para uma crescente classe média, se debate para criar falácias sem compromisso nenhum com a verdade, para que utilizando-se do poder midiático possa manipular cabeças, que não foram acostumadas a pensar politicamente, devido a um sistema educacional fracassado. Legitimando mentiras e manipulando verdades a seu favor.

20060816_revista_veja_capaRevista diz que Lula e Dilma sabiam do esquema

Observe que por meio da mídia também é fácil e interessante disseminar o ódio. Angariando dessa maneira o apoio da elite que tem perdido o direito de explorar, aproveitando que o ódio cria raízes muito mais profundas nas grandes disputas políticas. Atacar as minorias se torna uma das maneiras mais rápidas de realocar e nomear a insatisfação das pessoas, que por desconhecimento das diferenças podem rotular como precisarem as “jovens domésticas negras e nordestinas que ganham salário mínimo” (Observe a capa da revista Veja). Assim como aos demais grupos sociais onde se estimule o ódio.

Aproximar esse sentimento de ódio ao governo é muito fácil para uma oligarquia que perde seu espaço colonialista dentro da sociedade. Já que “o fim justifica os meios”, e não se tem conseguido justificar essa perca de poder político por parte das mais tradicionais famílias do Brasil. Dessa forma vou repetir um pensamento e lembrar que estamos ouvindo: “…estamos ferrados!” “Façamos a revolução…”, que não passam de pequenos fragmentos de uma elite que regurgita: “se a canalha se põe a pensar estamos ferrados”, “façamos a revolução antes que o povo a faça”.

Manipular e mobilizar o ódio popular é apenas um recurso antigo, utilizado por diferentes governos, para legitimar golpes democráticos a partir de medos introjetados na sociedade de diferentes maneiras. Como o medo do comunismo hollywoodiano, onde em casos aleatórios podemos mencionar o “Plano COHEN”, falso golpe comunista que deu origem ao Estado Novo em 1937. A péssima publicidade do discurso “comunista” feito por Jango no Automóvel Clube aos militares, que gerou o Golpe Militar em 1964. Ou a descredibilização das Eleições de 2014.

pedindo o fim da democracia. "Acredite se quiser".

pedindo o fim da democracia. “Acredite se quiser”.

Protesto atual pedindo a intervenção militar.

Protesto atual pedindo a intervenção militar.

Plano Cohen - 1937.

Plano Cohen – 1937.

Marcha da Família com Deus para a Liberdade - 1964.

Marcha da Família com Deus para a Liberdade – 1964.

Tal apelação se dá pela necessidade da perpetuação das nossas oligarquias feudais, do século XXI, no poder. Pois considerando o risco de quebrar o ciclo da pobreza – quando se garantem direitos essenciais como educação e alimentação, de uma maneira universalizada – lembra-se novamente de Maquiavel. Dessa forma “os frutos da pobreza são melhores que os da riqueza”, pois quando riqueza intelectual, cultural e financeira é distribuída, o poder da Virtú (virtude maquiavélica) mostra sua verdadeira face e se desmantela. Poderia continuar e falar de aspectos publicitários marcantes da disputa eleitoral; porém sei que me estenderia muito e não traria maior relevância ao debate, exceto apontar “quens” e “comos” facilmente constatáveis.

Porém é importante salientar que “quando a História se repete, se repete falsamente”, pois pessoas, sistemas e modos cíclicos se transformam com a cronologia, trazendo bastante conforto para afirmar que: Não somos as mesmas pessoas e Não esquecemos nossa própria História que é marcada por abusos e violência. Não comeremos de novo essa mistura pronta para bolo, na qual só comem os abastados.

protesto mfdl

A Política Uruguaia e o TERROR da direita vanguardista brasileira (Voto Crítico)

Estava outro dia conversando sobre as eleições quando ouvi um retumbante “Não podemos deixar mais o governo do PT no poder, isso se transformará em uma ditadura”. E fiquei bastante reflexivo com esta declaração pensando se realmente existe essa possibilidade.

Lógico que para realizar esta análise eu tive que excluir o fato da nossa presidente ter sido vítima da repressão ditatorial direitista, participando em grupos armados como o VAR-Palmares, lutando pelas aspirações socialistas que a motivavam.

Para tal análise tomei por base o texto de Constanza Moreira do Departamento de Ciência Política da Universidad de la República, Uruguai que explica a evolução do eleitorado e das esquerdas nos dois países. Usando a Frente Ampla no Uruguai, e por meio do Partido dos Trabalhadores no Brasil. Deixando claro que tão pouco acredito que o PT seja a melhor solução para os problemas que o Brasil precisa enfrentar, mas que me parece a única alternativa viável para a manutenção da democracia inclusiva que nos permeia.

Dentre os fatores analisados a própria tradição prestigiosa das oligarquias dominantes do Brasil levam a população a privilegiar politicamente elites que teoricamente já se encontram no comando do país. Como um clientelismo onde sentir o poder por meio da propaganda basta ou seja, onde 100 reais da venda de um voto bastam para “Sentir o poder, sem ter”.

O brasileiro não está acostumado a tratar com direitos éticos que não se subordinem a interesses oligárquicos/religiosos, pois está sujeito a uma relação abusiva entre poderosos e subordinados.Uma concepção em que se existir um “superpoderoso” precisa existir uma massa de miseráveis que o acompanham. Sendo essa a reclamação da ascendente classe média “alta” brasileira que não pode explorar minorias e pobres como tradicionalmente ocorre no Brasil. País que com soluções próprias tem criado uma democracia cada vez mais inclusiva e participativa por meio de ações verdadeiramente educativas como o PROUNI e o BOLSA FAMÌLIA, que por meio da educação geram inúmeras possibilidades de renovação e contato com a noosfera – que é em geral extremamente elitista – partindo dos estamentos mais baixos da nossa sociedade. Assustando a elite política do país que dessa forma deixa de ser exclusiva e passa a um status democratizante.

Incluir minorias e esquerdas na noosfera brasileira, dentro de uma análise histórica de desconstrução de partidos e valores partidários em troca de interesses, remete o eleitorado cabrestante do país às primeiras ideologias que motivaram o surgimento dos partidos de esquerda nacionais; porém de uma maneira deturpada. Como se esse cunho social estivesse diretamente relacionado a um comunismo hollywoodiano, onde ditadores perpetrariam a exploração popular para proveito próprio, ou para interesses estrangeiros. Como de fato foi motivado por países pseudodemocráticos a outros como o Brasil. Já que é sabido que a efetivação do Golpe Militar em 64 foi respaldada por porta-aviões norte-americanos, ou mesmo em Cuba, tão demonizada hoje pela direita, com a Emenda Platt.

Porém ao se criar este clima de terror ultranacionalista, se esquecem de mencionar que o próprio partido da presidente no decorrer da sua história se afastou dos Partidos Comunistas nacionais se alinhando com direcionamentos mais liberais na construção da sua concepção de esquerda. Fator determinante para a manutenção de políticas liberalizadoras como a participação de empresas privadas na composição da Petrobras. Porém sem participar do surto liberal, mundial, da década de 90, o que limita a atuação das empresas estrangeiras no âmbito das empresas estatais do Brasil.

Dessa maneira a construção política da esquerda brasileira no âmbito do poder se afasta muito da Uruguaia que tem a sua sociedade representada por uma elite católica liberal ou laica. Onde o fortalecimento da Frente Ampla pode ser muito mais aproveitado pela própria elite, que não precisou se sentir suprimida pela expansão dos direitos sociais no país. Já que mesmo na ilegalidade sua esquerda estava organizada durante seu último regime militar, dissociando a ideia ditatorial do seu movimento; ou mesmo da sua construção ideológica, já que até 60% dos Uruguaios se sentem próximos à política de seu país. Onde a esquerda consegue perpetuar até 80% do seu eleitorado dentro das próprias famílias em razão da sua origem mais universalizada, com sindicalistas, esquerdistas e mesmo militares. Diferentemente do Partido dos “Trabalhadores”.

Porém de uma maneira muito similar, exceto no quesito ambiental, ambos os países tem tomado medidas modernizadoras e inclusivas, considerando o fato de o Brasil ser um país calcado em preconceitos e fortes oligarquias coloniais que procuram se perpetuar sugando os próprios estamentos mais baixos da sua sociedade.

A fraqueza da democracia brasileira está calcada nesta dicotomia entre um Congresso elitista e um executivo popular. O que resulta em um comportamento de exceção das “bancadas” mais conservadoras e que se veem ameaçadas por essas políticas que tem o potencial de suplantar as oligarquias dominantes no país, por meio da educação e da inclusão social forçada.

Fazendo com que ouçamos a todo tempo: “… estamos ferrados!”, “Façamos a Revolução…!”; quando na verdade ouvimos fragmentos de gritos elitistas como: “Se a canalha se põe a pensar, estamos ferrados!”, “Façamos a Revolução, antes que o povo a faça!”. Ouvimos ditadura, mas estamos ouvindo o medo da verdadeira democracia, já que neste ponto nos afastamos muito da laica sociedade uruguaia, que perpetua o poder da Frente Ampla a 15 anos e não se sente ameaçada.

Desta maneira justifico meu voto crítico na Dilma, que se mostra o único viés para a perpetuação deste modelo social e verdadeiramente democrático que está sendo implantado.

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Frivolidades

“Hoje eu entendi como as frivolidades da vida podem desconstruir a ponto de descaracterizar. Tive medo por um segundo de representar o teatro que se descortinava aos meus olhos, porém sabia que…” – nossa estou sendo muito pesado, porque na verdade não foi horrível, foi muito estranho.

“Eu ainda estou um pouco estranho da experiência de conhecer alguém que não representa, inteiramente, a minha forma de viver…” – eu gostaria de entender com o que não compactuei.

“Hoje eu tive motivo para ter um pesadelo, sonhei que eu tinha conhecido a pessoa que não era ela; apenas por estar participando daquela fantasia cômico trágica de um alterego tão perfeitamente vestido de…” – sei lá o que; não quero pegar pesado sabe, mas me pareceu tão não eu, tão não a tudo em que eu acredito.

“Hoje eu entendi a qual extensão pode chegar uma colcha de retalhos. A construção de pequenas partes de…” – eu sei que não devo fazer juízo de valor, porém é tão diferente do que eu sou; foi como ouvir uma coisa e ver outra.. Minha nossa!

Foram tantas tentativas de iniciar um texto que ele já começou finalizado. Foram todos pequenos inícios, de pequenas análises, dos pequenos recortes desgostosos do que conheci hoje. Recortes de uma “bela” e perigosa colcha de retalhos.

Hoje eu consigo observar a extensão da minha alteridade; e a capacidade de um devaneio. Sendo qualquer um dos dois possivelmente positivo ou negativo, porque não estou acostumado a compactuar com falácias desmedidas em nome de uma aparência inexistente.

O neoliberalismo trouxe à tona o que há de pior em nós

O texto do Blog “O Alienado” perfeitamente explica o crescimento e a multiplicação da violência contra as minorias na tentativa de submeter e inferiorizar para se autopromover e lucrar. Obviamente serve de referência para religiosos fundamentalistas que se usam de minorias para parecem fortalecidos diante da sociedade, já que essas minorias quando agredidas tem contra elas o poderoso “senso comum”.

O neoliberalismo trouxe à tona o que há de pior em nós (29/09/2014).

Fórum Paranaense de Religiões de Matriz Africana e Preconceito

Ontem aconteceu o Fórum paranaense de religiões de matriz africana, onde foi discutido o preconceito religioso e as ações afirmativas das religiões afro. Preconceito, que visivelmente tem aumentado de maneira exponencial nos últimos meses que antecedem as eleições.

Acredito que o momento que vivemos é bastante complicado e que precisamos realmente parar e refletir sobre os preconceitos que assolam um país onde o totalitarismo religioso apenas tem avançado e se mostrado forte suficiente para parecer majoritário.

Um dos temas discutidos foi, por exemplo, a postura da vereadora Carla Pimentel que no plenário disse que não via qual a utilidade pública de um “terreiro de macumba”. Ainda se referindo aos parlamentares, da dita bancada religiosa, que aprovaram a medida como “aqueles que se dizem evangélicos”, dizendo que dessa maneira ela era o baluarte dos interesses protestantes da cidade de Curitiba. Como não conheço o caso a fundo não posso entrar no mérito documental de determinado templo, porém posso concluir que qualificar depreciativamente o templo de uma religião de matriz africana é no mínimo preconceituoso, levando-me a desacreditar que ela possa representar tal classe.

O primeiro problema é que enquanto legisladora a mesma senhora não pode ao menos se qualificar como defensora dos interesses de uma categoria, já que não possuímos mais os obscuros legisladores “classistas” e “biônicos” em nosso país. Fator que garante uma democracia mais plena que lute pelo povo, e para o povo, dentro dos limites da nossa constituição.

Ao mencionar a nossa constituição gostaria de citar o artigo III, inciso 4, da mesma que se refere a: “promover o bem de todos sem preconceito de origem, raça, sexo, cor, idade, e quaisquer outras formas de discriminação”, que em consonância com o artigo V defendem que: “é inviolável a liberdade de crença, sendo assegurado o livre exercício dos cultos religiosos e garantida na forma da lei a proteção aos locais de culto e suas liturgias”. Ainda falando em constituição no artigo V inciso 8 “ninguém será privado de direitos por motivo de crenças religiosa, convicção filosófica, ou política. Salvo se as invocar para se eximir de obrigação legal a TODOS imposta e recusar-se a cumprir prestação alternativa fixada em lei”. Pela justificativa anunciada pela vereadora, que foi eleita para ser a representante de TODO O POVO de Curitiba dentro dos limites da constituição, não acredito que seja possível encontrar alguma jurisprudência para o caso, tão pouco que o “terreiro de macumba” deva se eximir de alguma modificação documental, já que optou por se submeter a uma votação na Câmara da cidade. Não restando isenção legal, e tão pouco argumento que justifique tal voto. Gostaria de salientar que enquanto legisladora do POVO de Curitiba a dita vereadora não poderia se considerar membro de uma oligarquia, para não legislar em causa própria. Em resposta tal bancada se ausentou da segunda votação, o que não devo esquecer remete a uma justificativa “plausível e dentro dos princípios da legalidade”.

Ando um pouco cansado de citar a nossa constituição nos textos que escrevo, pois parafraseando o ex-candidato a presidência Eduardo Jorge, realmente estamos precisando de um choque constitucional em nosso país. Visto que ela anda esquecida pelo nosso povo, que tem tomado moral religiosa por Ética cidadã.

Tenho visto que alguns grupos tem esquecido o que é igualdade para se apegar ao interesse próprio, buscando evitar o processo de laicização social iniciado com o Renascimento durante o século XV. Processo que inicialmente negou à Religião o direito de escolher quem era humano (escolhido, filho e por aí vai), ou digno de ter conhecimento, e que por ventura pudesse vir a ter privilégios sociais por conta disso. Mesmas oligarquias que lutaram contra a extinção das diferenças legais quando o povo exigiu e proclamou com a Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão que TODOS SÃO IGUAIS PERANTE A LEI. E que ainda hoje dá suas últimas e perigosas investidas contra a naturalização dos Direitos Éticos.

Perigosas, pois na medida em que a lógica da sociedade laica, criada pelos movimentos reformistas, acabou se voltando contra eles mesmos – pregando a verdadeira liberdade social garantida pela Ética desde o movimento Iluminista, e legitimada pela constituição de 1988 – acabou jogando os líderes filosóficos fundamentalistas, dessas oligarquias, em um processo de retorno a uma patrística teocêntrica medieval. Onde as instituições religiosas teriam o direito de crivar o que é “laico” e punir o que não é. Observado pela crescente violência contra todas as minorias do país.

Minorias que ganharam o direito de existir com o mesmo ímpeto que as diferentes religiões europeias a conquistaram por meio da “Paz de Augsburg”, que ainda condicionava a crença de um povo ao seu rei, mas que foi um passo importante pelo direito de ser livre; e de possivelmente se tornar opressor (chega a ser engraçado). Hoje as minorias também lutam pelo direito de ser livre e exercer a sua cidadania, porém precisam vencer mais uma etapa pela naturalização de uma sociedade que sempre foi diversa, mas que não podia se manifestar. Minorias que se reforçam para ao mesmo tempo lutarem contra o preconceito e poderem ser reconhecidas enquanto suas especificidades.