Por favor, poderia não me xingar por querer ser feminista ?!

O feminismo enquanto movimento social liderado por mulheres encara a participação dos homens com alguma dificuldade e restrição, pois ou acredita que na totalidade deles existe o cerne do machismo; ou desacredita no potencial de desconstrução do estatuto patriarcal vigente, por parte dos cis. Porém discussões feministas restritas às mulheres cis levam o movimento a uma limitação natural da desconstrução dos preconceitos sociais. Pois homens ou mulheres não vivem em sociedades separadas, apesar de não gozarem dos mesmos direitos na misógina sociedade em que vivemos. O que leva a entender que, debater o feminismo separadamente é uma sugestão tão machista quanto a ideia de excluir eles do debate.

Homens não tem útero, não são mulheres, mas muitos deles tem cérebro e alteridade e gostariam de quebrar esse isolacionismo, criando identificação e a naturalização de novos conceitos sociais.

Assim como em outras desconstruções acredito que essa discussão até pode ser feita em meios isolados, porém sem o apoio das mulheres a alteridade se torna muito difícil. Ao se abrir alguns espaços para que os homens que se interessam pelo feminismo possam apoiar, conhecer e opinar sobre o movimento, ou o aborto, ou seja lá qual for o problema social, abre-se um canal direto para que esse assunto possa ser verdadeiramente debatido e desconstruído. Até mesmo sem afetar o objetivo final da discussão, que é o direito de decisão sobre próprio corpo.

Inclusive talvez desconstrução seja a palavra chave neste caso, pois preconceber está intimamente ligado a desconhecer. Dessa maneira ao apontar caminhos éticos para a compreensão do direito de abortar, é como ensinar um analfabeto a ler um livro que está em suas próprias mãos. Já que o homem também está envolvido na fecundação.

Quando se nega esta participação apenas está se mantendo um analfabeto com o mesmo livro na mão, porém apenas olhando as imagens dos fetos mortos.  O que pode ser um tanto chocante sem a devida reforma ética, que precisa ser construída, frente uma crescente e deturpada moral religiosa. 

Se hoje me posiciono pelo direito da mulher decidir é porque construí esses conceitos por meio do debate com amigas feministas. Dessa forma não posso deixar de afirmar que a naturalização dos conceitos também precisa ser discutida com homens. Sendo o objetivo desconstruir uma ética medievalesca que segrega homens de um lado e mulheres de outro, onde alguém sempre precisa ser superior.

Entendo que em uma sociedade machista, heteronormativa e patriarcal, homens que se interessam em desconstruir o entendimento que os mantém no topo dos estamentos sociais são raros. Porém privar aqueles que gostariam de aprender, por meio do debate – e quem sabe embate – de opiniões, limita o poder de naturalização dos princípios éticos feministas. Para opinar, e debater os homens necessitam de opinião própria. Os feministos não devem se furtar ao direito de desconstruir seus preconceitos e continuar aprendendo por meio da opinião. Até porque é com a expansão desse debate que a causa feminista vai verdadeiramente conseguir entrar nos “bares”, nas “obras” desconstruindo todos esses ambientes misóginos que permeiam nossa sociedade.

As vezes sinto que a egrégora feminista acredita que os feministos tem uma intenção, quase inconsciente, de impor suas vontades sobre o corpo da mulher, de maneira a satisfazer sua primazia. Impor ao meu ver é muito diferente de opinar. Impor também é inferir que eu estarei sábado e domingo em um bar atentando contra mulheres. Impor é mandar que um homem se cale e escute o que é certo no feminismo sem ter a oportunidade de expressar suas ideias, para criar novos parâmetros sociais corretos. Generalizar de certa forma também é impor.

Porém, reproduzir um discurso que não foi incorporado ao seu “estatuto do indivíduo” sem estabelecer parâmetros morais que o satisfaçam, apenas mascara os preconceitos com uma nuvem de silencio. Legislar sem debater e desconstruir, é só mais uma forma de manter o preconceito à brasileira já existente.

É lógico que eu sei que não sou a maioria. Mas não ser bem recebido em uma luta, que também é minha, apenas segrega. A luta pela naturalização de um novo estatuto individual relativista e igualitário não é só das mulheres. Quando o debate se encontra com essa limitação ele não penetra na macro-esfera social, onde todos os gêneros deveriam conviver; e a relativização dos conceitos éticos não ocorre.

Só ouvir não é aprender, só ouvir é se sujeitar e eu acredito que essa não é a ideia!

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Malfeito Feito.. Maquiavel após esquadrão da Moda? (Golpe de 64?)

Parece que o livro que trazia o caminho para uma Itália unificada caiu em mãos erradas. Seguindo passos um tanto quanto conhecidos a elite tenta promover o terror e o medo, com apoio da mídia, para tentar ressuscitar antigos movimentos manipulatórios com intuito de descredibilizar o governo brasileiro.

Sempre é legal lembrar que “Há três espécies de cérebros: uns entendem por si próprios; os outros discernem o que os primeiros entendem; e os terceiros não entendem nem por si próprios nem pelos outros; os primeiros são excelentíssimos; os segundos excelentes; e os terceiros totalmente inúteis” (Maquiavel). Porém o medo se dá na medida em que a deterioração do pensamento crítico tem transformado uma parcela cada vez maior das pessoas em “inúteis”. Mera massa de manobra política, como observado em tempos passados, onde com o slogan certo pode-se enganar uma parte dos “Homens de Bem” (2014), os levando para a “Marcha da Família com Deus para a Liberdade”(1964).

Porém como justificar que, com imensos e reconhecidos benefícios humanitários, um governo pudesse ser julgado como errôneo e incoerente em todos os aspectos; tão profundamente a ponto de arriscar a liberdade democrática nacional?

Obviamente que observando melhor o discurso maquiavélico fica mais fácil entender como a elite, que hoje perde sua hegemonia para uma crescente classe média, se debate para criar falácias sem compromisso nenhum com a verdade, para que utilizando-se do poder midiático possa manipular cabeças, que não foram acostumadas a pensar politicamente, devido a um sistema educacional fracassado. Legitimando mentiras e manipulando verdades a seu favor.

20060816_revista_veja_capaRevista diz que Lula e Dilma sabiam do esquema

Observe que por meio da mídia também é fácil e interessante disseminar o ódio. Angariando dessa maneira o apoio da elite que tem perdido o direito de explorar, aproveitando que o ódio cria raízes muito mais profundas nas grandes disputas políticas. Atacar as minorias se torna uma das maneiras mais rápidas de realocar e nomear a insatisfação das pessoas, que por desconhecimento das diferenças podem rotular como precisarem as “jovens domésticas negras e nordestinas que ganham salário mínimo” (Observe a capa da revista Veja). Assim como aos demais grupos sociais onde se estimule o ódio.

Aproximar esse sentimento de ódio ao governo é muito fácil para uma oligarquia que perde seu espaço colonialista dentro da sociedade. Já que “o fim justifica os meios”, e não se tem conseguido justificar essa perca de poder político por parte das mais tradicionais famílias do Brasil. Dessa forma vou repetir um pensamento e lembrar que estamos ouvindo: “…estamos ferrados!” “Façamos a revolução…”, que não passam de pequenos fragmentos de uma elite que regurgita: “se a canalha se põe a pensar estamos ferrados”, “façamos a revolução antes que o povo a faça”.

Manipular e mobilizar o ódio popular é apenas um recurso antigo, utilizado por diferentes governos, para legitimar golpes democráticos a partir de medos introjetados na sociedade de diferentes maneiras. Como o medo do comunismo hollywoodiano, onde em casos aleatórios podemos mencionar o “Plano COHEN”, falso golpe comunista que deu origem ao Estado Novo em 1937. A péssima publicidade do discurso “comunista” feito por Jango no Automóvel Clube aos militares, que gerou o Golpe Militar em 1964. Ou a descredibilização das Eleições de 2014.

pedindo o fim da democracia. "Acredite se quiser".

pedindo o fim da democracia. “Acredite se quiser”.

Protesto atual pedindo a intervenção militar.

Protesto atual pedindo a intervenção militar.

Plano Cohen - 1937.

Plano Cohen – 1937.

Marcha da Família com Deus para a Liberdade - 1964.

Marcha da Família com Deus para a Liberdade – 1964.

Tal apelação se dá pela necessidade da perpetuação das nossas oligarquias feudais, do século XXI, no poder. Pois considerando o risco de quebrar o ciclo da pobreza – quando se garantem direitos essenciais como educação e alimentação, de uma maneira universalizada – lembra-se novamente de Maquiavel. Dessa forma “os frutos da pobreza são melhores que os da riqueza”, pois quando riqueza intelectual, cultural e financeira é distribuída, o poder da Virtú (virtude maquiavélica) mostra sua verdadeira face e se desmantela. Poderia continuar e falar de aspectos publicitários marcantes da disputa eleitoral; porém sei que me estenderia muito e não traria maior relevância ao debate, exceto apontar “quens” e “comos” facilmente constatáveis.

Porém é importante salientar que “quando a História se repete, se repete falsamente”, pois pessoas, sistemas e modos cíclicos se transformam com a cronologia, trazendo bastante conforto para afirmar que: Não somos as mesmas pessoas e Não esquecemos nossa própria História que é marcada por abusos e violência. Não comeremos de novo essa mistura pronta para bolo, na qual só comem os abastados.

protesto mfdl

A Política Uruguaia e o TERROR da direita vanguardista brasileira (Voto Crítico)

Estava outro dia conversando sobre as eleições quando ouvi um retumbante “Não podemos deixar mais o governo do PT no poder, isso se transformará em uma ditadura”. E fiquei bastante reflexivo com esta declaração pensando se realmente existe essa possibilidade.

Lógico que para realizar esta análise eu tive que excluir o fato da nossa presidente ter sido vítima da repressão ditatorial direitista, participando em grupos armados como o VAR-Palmares, lutando pelas aspirações socialistas que a motivavam.

Para tal análise tomei por base o texto de Constanza Moreira do Departamento de Ciência Política da Universidad de la República, Uruguai que explica a evolução do eleitorado e das esquerdas nos dois países. Usando a Frente Ampla no Uruguai, e por meio do Partido dos Trabalhadores no Brasil. Deixando claro que tão pouco acredito que o PT seja a melhor solução para os problemas que o Brasil precisa enfrentar, mas que me parece a única alternativa viável para a manutenção da democracia inclusiva que nos permeia.

Dentre os fatores analisados a própria tradição prestigiosa das oligarquias dominantes do Brasil levam a população a privilegiar politicamente elites que teoricamente já se encontram no comando do país. Como um clientelismo onde sentir o poder por meio da propaganda basta ou seja, onde 100 reais da venda de um voto bastam para “Sentir o poder, sem ter”.

O brasileiro não está acostumado a tratar com direitos éticos que não se subordinem a interesses oligárquicos/religiosos, pois está sujeito a uma relação abusiva entre poderosos e subordinados.Uma concepção em que se existir um “superpoderoso” precisa existir uma massa de miseráveis que o acompanham. Sendo essa a reclamação da ascendente classe média “alta” brasileira que não pode explorar minorias e pobres como tradicionalmente ocorre no Brasil. País que com soluções próprias tem criado uma democracia cada vez mais inclusiva e participativa por meio de ações verdadeiramente educativas como o PROUNI e o BOLSA FAMÌLIA, que por meio da educação geram inúmeras possibilidades de renovação e contato com a noosfera – que é em geral extremamente elitista – partindo dos estamentos mais baixos da nossa sociedade. Assustando a elite política do país que dessa forma deixa de ser exclusiva e passa a um status democratizante.

Incluir minorias e esquerdas na noosfera brasileira, dentro de uma análise histórica de desconstrução de partidos e valores partidários em troca de interesses, remete o eleitorado cabrestante do país às primeiras ideologias que motivaram o surgimento dos partidos de esquerda nacionais; porém de uma maneira deturpada. Como se esse cunho social estivesse diretamente relacionado a um comunismo hollywoodiano, onde ditadores perpetrariam a exploração popular para proveito próprio, ou para interesses estrangeiros. Como de fato foi motivado por países pseudodemocráticos a outros como o Brasil. Já que é sabido que a efetivação do Golpe Militar em 64 foi respaldada por porta-aviões norte-americanos, ou mesmo em Cuba, tão demonizada hoje pela direita, com a Emenda Platt.

Porém ao se criar este clima de terror ultranacionalista, se esquecem de mencionar que o próprio partido da presidente no decorrer da sua história se afastou dos Partidos Comunistas nacionais se alinhando com direcionamentos mais liberais na construção da sua concepção de esquerda. Fator determinante para a manutenção de políticas liberalizadoras como a participação de empresas privadas na composição da Petrobras. Porém sem participar do surto liberal, mundial, da década de 90, o que limita a atuação das empresas estrangeiras no âmbito das empresas estatais do Brasil.

Dessa maneira a construção política da esquerda brasileira no âmbito do poder se afasta muito da Uruguaia que tem a sua sociedade representada por uma elite católica liberal ou laica. Onde o fortalecimento da Frente Ampla pode ser muito mais aproveitado pela própria elite, que não precisou se sentir suprimida pela expansão dos direitos sociais no país. Já que mesmo na ilegalidade sua esquerda estava organizada durante seu último regime militar, dissociando a ideia ditatorial do seu movimento; ou mesmo da sua construção ideológica, já que até 60% dos Uruguaios se sentem próximos à política de seu país. Onde a esquerda consegue perpetuar até 80% do seu eleitorado dentro das próprias famílias em razão da sua origem mais universalizada, com sindicalistas, esquerdistas e mesmo militares. Diferentemente do Partido dos “Trabalhadores”.

Porém de uma maneira muito similar, exceto no quesito ambiental, ambos os países tem tomado medidas modernizadoras e inclusivas, considerando o fato de o Brasil ser um país calcado em preconceitos e fortes oligarquias coloniais que procuram se perpetuar sugando os próprios estamentos mais baixos da sua sociedade.

A fraqueza da democracia brasileira está calcada nesta dicotomia entre um Congresso elitista e um executivo popular. O que resulta em um comportamento de exceção das “bancadas” mais conservadoras e que se veem ameaçadas por essas políticas que tem o potencial de suplantar as oligarquias dominantes no país, por meio da educação e da inclusão social forçada.

Fazendo com que ouçamos a todo tempo: “… estamos ferrados!”, “Façamos a Revolução…!”; quando na verdade ouvimos fragmentos de gritos elitistas como: “Se a canalha se põe a pensar, estamos ferrados!”, “Façamos a Revolução, antes que o povo a faça!”. Ouvimos ditadura, mas estamos ouvindo o medo da verdadeira democracia, já que neste ponto nos afastamos muito da laica sociedade uruguaia, que perpetua o poder da Frente Ampla a 15 anos e não se sente ameaçada.

Desta maneira justifico meu voto crítico na Dilma, que se mostra o único viés para a perpetuação deste modelo social e verdadeiramente democrático que está sendo implantado.

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Fórum Paranaense de Religiões de Matriz Africana e Preconceito

Ontem aconteceu o Fórum paranaense de religiões de matriz africana, onde foi discutido o preconceito religioso e as ações afirmativas das religiões afro. Preconceito, que visivelmente tem aumentado de maneira exponencial nos últimos meses que antecedem as eleições.

Acredito que o momento que vivemos é bastante complicado e que precisamos realmente parar e refletir sobre os preconceitos que assolam um país onde o totalitarismo religioso apenas tem avançado e se mostrado forte suficiente para parecer majoritário.

Um dos temas discutidos foi, por exemplo, a postura da vereadora Carla Pimentel que no plenário disse que não via qual a utilidade pública de um “terreiro de macumba”. Ainda se referindo aos parlamentares, da dita bancada religiosa, que aprovaram a medida como “aqueles que se dizem evangélicos”, dizendo que dessa maneira ela era o baluarte dos interesses protestantes da cidade de Curitiba. Como não conheço o caso a fundo não posso entrar no mérito documental de determinado templo, porém posso concluir que qualificar depreciativamente o templo de uma religião de matriz africana é no mínimo preconceituoso, levando-me a desacreditar que ela possa representar tal classe.

O primeiro problema é que enquanto legisladora a mesma senhora não pode ao menos se qualificar como defensora dos interesses de uma categoria, já que não possuímos mais os obscuros legisladores “classistas” e “biônicos” em nosso país. Fator que garante uma democracia mais plena que lute pelo povo, e para o povo, dentro dos limites da nossa constituição.

Ao mencionar a nossa constituição gostaria de citar o artigo III, inciso 4, da mesma que se refere a: “promover o bem de todos sem preconceito de origem, raça, sexo, cor, idade, e quaisquer outras formas de discriminação”, que em consonância com o artigo V defendem que: “é inviolável a liberdade de crença, sendo assegurado o livre exercício dos cultos religiosos e garantida na forma da lei a proteção aos locais de culto e suas liturgias”. Ainda falando em constituição no artigo V inciso 8 “ninguém será privado de direitos por motivo de crenças religiosa, convicção filosófica, ou política. Salvo se as invocar para se eximir de obrigação legal a TODOS imposta e recusar-se a cumprir prestação alternativa fixada em lei”. Pela justificativa anunciada pela vereadora, que foi eleita para ser a representante de TODO O POVO de Curitiba dentro dos limites da constituição, não acredito que seja possível encontrar alguma jurisprudência para o caso, tão pouco que o “terreiro de macumba” deva se eximir de alguma modificação documental, já que optou por se submeter a uma votação na Câmara da cidade. Não restando isenção legal, e tão pouco argumento que justifique tal voto. Gostaria de salientar que enquanto legisladora do POVO de Curitiba a dita vereadora não poderia se considerar membro de uma oligarquia, para não legislar em causa própria. Em resposta tal bancada se ausentou da segunda votação, o que não devo esquecer remete a uma justificativa “plausível e dentro dos princípios da legalidade”.

Ando um pouco cansado de citar a nossa constituição nos textos que escrevo, pois parafraseando o ex-candidato a presidência Eduardo Jorge, realmente estamos precisando de um choque constitucional em nosso país. Visto que ela anda esquecida pelo nosso povo, que tem tomado moral religiosa por Ética cidadã.

Tenho visto que alguns grupos tem esquecido o que é igualdade para se apegar ao interesse próprio, buscando evitar o processo de laicização social iniciado com o Renascimento durante o século XV. Processo que inicialmente negou à Religião o direito de escolher quem era humano (escolhido, filho e por aí vai), ou digno de ter conhecimento, e que por ventura pudesse vir a ter privilégios sociais por conta disso. Mesmas oligarquias que lutaram contra a extinção das diferenças legais quando o povo exigiu e proclamou com a Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão que TODOS SÃO IGUAIS PERANTE A LEI. E que ainda hoje dá suas últimas e perigosas investidas contra a naturalização dos Direitos Éticos.

Perigosas, pois na medida em que a lógica da sociedade laica, criada pelos movimentos reformistas, acabou se voltando contra eles mesmos – pregando a verdadeira liberdade social garantida pela Ética desde o movimento Iluminista, e legitimada pela constituição de 1988 – acabou jogando os líderes filosóficos fundamentalistas, dessas oligarquias, em um processo de retorno a uma patrística teocêntrica medieval. Onde as instituições religiosas teriam o direito de crivar o que é “laico” e punir o que não é. Observado pela crescente violência contra todas as minorias do país.

Minorias que ganharam o direito de existir com o mesmo ímpeto que as diferentes religiões europeias a conquistaram por meio da “Paz de Augsburg”, que ainda condicionava a crença de um povo ao seu rei, mas que foi um passo importante pelo direito de ser livre; e de possivelmente se tornar opressor (chega a ser engraçado). Hoje as minorias também lutam pelo direito de ser livre e exercer a sua cidadania, porém precisam vencer mais uma etapa pela naturalização de uma sociedade que sempre foi diversa, mas que não podia se manifestar. Minorias que se reforçam para ao mesmo tempo lutarem contra o preconceito e poderem ser reconhecidas enquanto suas especificidades.