REPÚDIO a essa MÍDIA irresponsável que não tem noção da repercussão daquilo que DEFECA nas notícias que produz.

O site G1 noticiou a briga entre alunas de uma escola em Teresina com um estilete, onde o professor regente se retirou da sala de aula sem separar as meninas. A publicação enfatizava a última parte não deixando dúvidas sobre a atitude que deveria ter sido tomada pelo professor.

Na minha opinião o professor tinha que ter jogado uma bomba de gás no meio da briga, tirar seu cassetete da bolsa, ou mesmo sua arma de choque e entrar no meio. Porque com o colete a prova de balas que nós usamos cotidianamente, aliado ao treino de combate corpo a corpo, entrar no meio de uma briga onde o aluno possui um estilete é moleza.

Chamar ajuda do resto do corpo pedagógico da escola pode resultar em uma reportagem sensacionalista do G1 que apenas escolheu uma das vítimas como bode expiatório da situação. Num grosseiro ato de desmerecimento profissional do educador que na prática legal nem pode tocar no seu aluno.

Ainda não podendo esquecer que a falta de responsabilidade e sensibilidade com a qual a mídia SEMPRE trata os problemas escolares, acaba sendo uma das causas para a manutenção da mediocridade do sistema educacional do nosso país.

Atribuindo aos professores responsabilidades que são dos pais, do corpo pedagógico e mesmo de assistentes sociais, apenas contribuindo para a atual “Cultura do Contrário”. Onde os profissionais que se sujeitam a aprovar números são recompensados por meio de meritocracias estaduais. Onde alunos que não possuem uma conduta apropriada são valorizados com manchetes jornalísticas, mesmo que sejam nas páginas policiais. Onde pais ajudam pedagogos a se eximirem de suas responsabilidades pela rotina tanto doméstica como escolar.

Tudo com a anuência da mídia que protagoniza lindas propagandas de incentivo, mas que não sabe tratar assuntos educacionais críticos com seriedade. Dessa maneira continuaremos para sempre valorizando o mau aluno, o mau rendimento, o baixo comprometimento dos pais e o baixo envolvimento da comunidade escolar para lidar com os graves problemas da nossa educação. Isso porque é muito mais fácil responsabilizar o outro, a assumir seus erros e valorizar as boas atitudes.

Repensar o sistema educacional e assumir os verdadeiros números da nossa educação, no atual sistema político brasileiro, não é viável pois expõe problemas que certamente prejudicariam em muito as eleições. Tanto como propaganda negativa para um governo que seria verdadeiramente justo, como na extinção dos mais tradicionais currais eleitorais da nação. Por isso também no sistema educacional vigora o “jeitinho brasileiro”,sendo muito mais fácil certificar um analfabeto funcional com grau médio, a reter nem sei quantos por cento dos discentes para assumir seus erros e começar do negativo; já que o zero não pode ser atribuído neste caso.

Aliás, quem foi recompensada no final do dia com essa violência noticiada? Apenas a aluna agressora. Pois com a anuência da Escola, dos Pais e da Mídia o elo mais fraco da educação no Brasil – o professor – mais uma vez teve sua profissão descaracterizada e passou a ser considerado ou técnico em defesa pessoal, ou trouxa (sou mais pela Segunda opção).

Não vamos esquecer ainda que amanhã depois dessa noticia, que eu nem quero qualificar, quem vai entrar na sala desmoralizado, humilhado e com certeza abalado emocionalmente – já que tenho absoluta certeza que ele não vai receber apoio psicológico – será o professor.

Numa dessas ainda hei de ouvir alguém dizer que a notícia não foi nada de mais já que as meninas não estavam se matando literalmente. Mas como fica a exposição desse profissional, que sequer pode tocar em uma das alunas? Como fica a sua carreira depois de tamanha exposição? Como fica a sua imagem, quando se refere a uma profissão que é tratada como única responsável pela construção da moral.

Apesar de ser bonita a docência NÃO PODE SER TRATADA COMO SACERDÓCIO, pois incorreria na abstenção de direitos que todos possuímos enquanto profissionais. Inclusive no que diz respeito à intimidade. Não ser um mártir não significa que não exista comprometimento com os alunos, significa apenas que o docente se respeita enquanto profissional.

Acredito inclusive que o sindicato dos professores deveria se pronunciar frente a deturpação criada pela notícia. Já que não adianta fazer propaganda bonitinha que diz para as pessoas: Venham ser professor… É ótimo, maravilhoso… O mundo te respeita… Nós o respeitamos… Quando na hora de agir com seriedade tudo vira demagogia E/OU essa palhaçada sensacionalista.

http://g1.globo.com/pi/piaui/noticia/2014/11/jovens-brigam-em-sala-de-aula-com-estilete-e-professor-sai-sem-separa-las.html

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