A Política Uruguaia e o TERROR da direita vanguardista brasileira (Voto Crítico)

Estava outro dia conversando sobre as eleições quando ouvi um retumbante “Não podemos deixar mais o governo do PT no poder, isso se transformará em uma ditadura”. E fiquei bastante reflexivo com esta declaração pensando se realmente existe essa possibilidade.

Lógico que para realizar esta análise eu tive que excluir o fato da nossa presidente ter sido vítima da repressão ditatorial direitista, participando em grupos armados como o VAR-Palmares, lutando pelas aspirações socialistas que a motivavam.

Para tal análise tomei por base o texto de Constanza Moreira do Departamento de Ciência Política da Universidad de la República, Uruguai que explica a evolução do eleitorado e das esquerdas nos dois países. Usando a Frente Ampla no Uruguai, e por meio do Partido dos Trabalhadores no Brasil. Deixando claro que tão pouco acredito que o PT seja a melhor solução para os problemas que o Brasil precisa enfrentar, mas que me parece a única alternativa viável para a manutenção da democracia inclusiva que nos permeia.

Dentre os fatores analisados a própria tradição prestigiosa das oligarquias dominantes do Brasil levam a população a privilegiar politicamente elites que teoricamente já se encontram no comando do país. Como um clientelismo onde sentir o poder por meio da propaganda basta ou seja, onde 100 reais da venda de um voto bastam para “Sentir o poder, sem ter”.

O brasileiro não está acostumado a tratar com direitos éticos que não se subordinem a interesses oligárquicos/religiosos, pois está sujeito a uma relação abusiva entre poderosos e subordinados.Uma concepção em que se existir um “superpoderoso” precisa existir uma massa de miseráveis que o acompanham. Sendo essa a reclamação da ascendente classe média “alta” brasileira que não pode explorar minorias e pobres como tradicionalmente ocorre no Brasil. País que com soluções próprias tem criado uma democracia cada vez mais inclusiva e participativa por meio de ações verdadeiramente educativas como o PROUNI e o BOLSA FAMÌLIA, que por meio da educação geram inúmeras possibilidades de renovação e contato com a noosfera – que é em geral extremamente elitista – partindo dos estamentos mais baixos da nossa sociedade. Assustando a elite política do país que dessa forma deixa de ser exclusiva e passa a um status democratizante.

Incluir minorias e esquerdas na noosfera brasileira, dentro de uma análise histórica de desconstrução de partidos e valores partidários em troca de interesses, remete o eleitorado cabrestante do país às primeiras ideologias que motivaram o surgimento dos partidos de esquerda nacionais; porém de uma maneira deturpada. Como se esse cunho social estivesse diretamente relacionado a um comunismo hollywoodiano, onde ditadores perpetrariam a exploração popular para proveito próprio, ou para interesses estrangeiros. Como de fato foi motivado por países pseudodemocráticos a outros como o Brasil. Já que é sabido que a efetivação do Golpe Militar em 64 foi respaldada por porta-aviões norte-americanos, ou mesmo em Cuba, tão demonizada hoje pela direita, com a Emenda Platt.

Porém ao se criar este clima de terror ultranacionalista, se esquecem de mencionar que o próprio partido da presidente no decorrer da sua história se afastou dos Partidos Comunistas nacionais se alinhando com direcionamentos mais liberais na construção da sua concepção de esquerda. Fator determinante para a manutenção de políticas liberalizadoras como a participação de empresas privadas na composição da Petrobras. Porém sem participar do surto liberal, mundial, da década de 90, o que limita a atuação das empresas estrangeiras no âmbito das empresas estatais do Brasil.

Dessa maneira a construção política da esquerda brasileira no âmbito do poder se afasta muito da Uruguaia que tem a sua sociedade representada por uma elite católica liberal ou laica. Onde o fortalecimento da Frente Ampla pode ser muito mais aproveitado pela própria elite, que não precisou se sentir suprimida pela expansão dos direitos sociais no país. Já que mesmo na ilegalidade sua esquerda estava organizada durante seu último regime militar, dissociando a ideia ditatorial do seu movimento; ou mesmo da sua construção ideológica, já que até 60% dos Uruguaios se sentem próximos à política de seu país. Onde a esquerda consegue perpetuar até 80% do seu eleitorado dentro das próprias famílias em razão da sua origem mais universalizada, com sindicalistas, esquerdistas e mesmo militares. Diferentemente do Partido dos “Trabalhadores”.

Porém de uma maneira muito similar, exceto no quesito ambiental, ambos os países tem tomado medidas modernizadoras e inclusivas, considerando o fato de o Brasil ser um país calcado em preconceitos e fortes oligarquias coloniais que procuram se perpetuar sugando os próprios estamentos mais baixos da sua sociedade.

A fraqueza da democracia brasileira está calcada nesta dicotomia entre um Congresso elitista e um executivo popular. O que resulta em um comportamento de exceção das “bancadas” mais conservadoras e que se veem ameaçadas por essas políticas que tem o potencial de suplantar as oligarquias dominantes no país, por meio da educação e da inclusão social forçada.

Fazendo com que ouçamos a todo tempo: “… estamos ferrados!”, “Façamos a Revolução…!”; quando na verdade ouvimos fragmentos de gritos elitistas como: “Se a canalha se põe a pensar, estamos ferrados!”, “Façamos a Revolução, antes que o povo a faça!”. Ouvimos ditadura, mas estamos ouvindo o medo da verdadeira democracia, já que neste ponto nos afastamos muito da laica sociedade uruguaia, que perpetua o poder da Frente Ampla a 15 anos e não se sente ameaçada.

Desta maneira justifico meu voto crítico na Dilma, que se mostra o único viés para a perpetuação deste modelo social e verdadeiramente democrático que está sendo implantado.

http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0104-62762000000100002

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