A mulher continuará sendo Eva enquanto a sociedade se achar deus(o)

A mulher continua sendo Eva, pois na prática ela ainda assume um estatuto secundário em detrimento do Homem.

Para a mulher ser Eva significa ser aquela que potencialmente irá errar, afinal Eva errou e comeu do fruto proibido. O que na sociedade machista a transforma em alvo do próprio erro potencial, dificultando o acesso das mulheres aos altos cargos no mercado de trabalho; ou reduzindo seus salários em detrimento dos homens.

A mulher ainda é culpada pela sociedade por seduzir o homem ao pecado ofertando seu corpo, fruto sexualmente proibido, ao sexo oposto de maneira provocante e pecaminosa. Sendo desta maneira responsabilizada pelos “possíveis pecados” masculinos.

Dentro de uma concepção medieval e teocrática a mulher ainda vai continuar sendo culpabilizada graças a demonização do sagrado feminino e à repressão da sua sexualidade que se manifesta em forma de violência. Podemos observar isso de uma maneira clara desde a Idade Média com a perseguição das bruxas e das crenças pagãs que cultuam seu ventre capaz de gerar uma nova vida, sacralizando o poder do feminino.

A mulher ainda carrega o peso social de ser Eva, pois a sociedade se acha deus(o), enclausurando direitos garantidos e inferiorizando tudo o que possivelmente venha a representar o feminino e a livre escolha das minorias. Inclusive o direito ao próprio corpo, quando uma mulher é obrigada a levar uma gestação indesejada até o fim.

Transformar a bênção de conceber uma vida, na obrigação de crescer e multiplicar faz parte de um propósito de inferiorização legal do direito de escolha da mulher. Pois a sociedade machista, que hoje retorna às concepções mais retrógradas possíveis, já percebeu que a laicização da sociedade É a conquista do corpo feminino. Ambiente onde as mulheres e as minorias em geral realmente poderão brigar pelos verdadeiros direitos de liberdade e igualdade da nossa constituição; já que hoje vivemos em um Estado legalmente desigual quando nega à mulher o direito de escolher ser mãe ou não, inferiorizando-a perante os homens e mandando um recado direto a todas as outras minorias.

Não sou a favor do aborto, sou a favor do direito de escolha, sou a favor da instrução e da difusão dos métodos contraceptivos. Sou a favor da verdadeira igualdade, que efetivamente deve começar pela maior minoria do nosso país.

Por isso afirmo, a luta feminista também é minha!

Marcha das Vadias Curitiba/2014

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